Arquivo para April, 2007

The Dead Dads Club

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Será que o futuro nos reserva apenas posts reclamões?

Essa é uma grande questão. Questão maior ainda para mim é porque as pessoas andam tão tristes, tão magoadas e tão insatisfeitas? Como pode todas as pessoas que eu conheço – e nas quais eu me incluo, em alguns aspectos – estarem tão desesparadas por amor, carinho, atenção, compreensão… Quando nenhuma delas dá o primeiro passo para fazer as coisas da maneira certa. Todos estão esperando que a compreensão, o afago, o carinho venha de algum lugar por aí… ninguém quer ser aquele a dar todos os anteriores… ninguém quer ser feito de bobo, de usado, de abusado… Estão todos de peito aberto, como livros abertos… só que guardados em algum quarto escuro, trancados a chave.

A que ponto chegamos quando as pessoas estão tão viciadas em um suposto bem estar, que são incapazes de suportar o mal estar necessário para passar pelos momentos em que se constróem a confiança, se vencem as mágoas e se estruturam novas formas de se lidar com os mesmos velhos relacionamentos.

Merda acontece. Ás vezes magoamos as pessoas quando não deveríamos, às vezes elas nos magoam quando não deveríam… e então o tempo passa e alguém tem que limpar a sujeira que foi feita. Será que eu vivo em um mundo tão pequeno que as pessoas não se preocupam mais???

We are all accidents… waiting to happen.

P.S.: Desculpem o post supostamente abstrato. Mas é que eu estou cansada. Cansada do mal estar que se estabelece em família onde as pessoas parecem bombas à procura de atrito para explodirem. Estou cansada do mal estar em amigos, estou cansada de esperar que alguém – estrangeiro ou não – esteja por perto para que eu me sinta completa. Seríam os seres humanos assim tão pequenos que não podem se dar ao luxo de serem “emocionalmente sádios”, a despeito das circunstâncias?? Todos querem ser amados… ok, eu consigo entender isso. Mas será que as pessoas não entendem que ser amado não é uma benção, um presente, uma graça?? Que não é suficiente dizer “Quero ser amado!!” e esperar que um anjo diga amém quando você lamenta pela milionésima vez! O amor é uma conquista, uma colheita… é claro que pode ser um estado natural – deveria pelo menos – mas parece que as pessoas ficam bem mais confortáveis em bater a cabeça na parede até perceber o óbvio: It hurts”!

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A vida como ela não é, mas deveria ser…

Se a vida fosse, simplesmente como deveria ser, sem dar bola para como ela é de fato… Para começar meu “namorado” não seria um futuro idiota, não estaria a quilometros de distância e distante há 05 meses. Ele estaria aqui comigo, e eu provavelmente não estaria aqui nesse computador escrevendo, mas sim aproveitando meu tempo de maneira muito melhor.

Se a vida fosse, simplesmente como deveria ser, sem dar bola para como ela é de fato… Eu, nesses meus 26 anos, já teria terminado a faculdade há 04 anos atrás. Teria feito um segundo grau normal de 03 anos, terminado o colégio aos 18, entrado na faculdade no ano seguinte e me formado aos 22. Teria passado um ano fazendo intercâmbio no exterior, voltado no ano seguinte e entrado em uma multinacional, e assim, aos 26, além de ter meu próprio carro, eu estaria dando entrada no meu próprio apartamento… pequeno para começar, dois quartos, decorado ao meu gosto, com móveis chegando aos poucos e namorado visitando constantemente – se não, já parte integrante do pacote.

Se a vida fosse, simplesmente como deveria ser, sem dar bola para como ela é de fato… Meu pai teria se sentido libertado ao ser demitido. Teria passado o tempo caminhando mais, pensando em mais coisas novas e deixado de lado o cigarro e a bebida. Teria se exercitado mais, emagrecido, começado um negócio de instalação de Home Theaters, e estaria animado. Não teria falecido nos meus braços pedindo por ar.

Se a vida fosse, simplesmente como deveria ser, sem dar bola para como ela é de fato… Minha vó teria se recuperado de se divorciar em plena década de 1970. Teria dado um jeito de esquecer meu avô, não deixar que esse sentimento a consumisse, e não acabaria com uma doença esclerótica, relembrando fantasmas deixados de lado e não resolvidos. Não teria morrido após o próprio filho, não teria ido ao enterro dele sem nem saber onde estava.

Se a vida fosse, simplesmente como deveria ser, sem dar bola para como ela é de fato… Em casa seríamos todos melhores, e não centrais de mágoas adormecidas esperando atrito para explodir. Conseguiríamos resolver o fato de que essa casa parece pequena, independente de quantas pessoas moram nela. Saberíamos dividir as coisas, e não precisar necessariamente ficar testando nossos limites a todo momento.

Se a vida fosse, simplesmente como deveria ser, sem dar bola para como ela é de fato… Talvez eu conseguisse olhar as coisas com esperança e satisfação, dizer que estamos caminhando, que as coisas estão crescendo e melhorando… e não que simplesmente eu passo o dia tentando imaginar quando irá chegar ao fim o limite de todas as coisas conhecidas, dadas como certas, dadas como estáveis. Quando será dito o último eu te amo? Quando será trocado o último beijo? Quando chegaremos ao último dia e trabalho quando você participa da destruição de uma entidade? Quando o que você costumava chamar de família parecem cada vez mais distantes e estranhos? Quando a mágoa matará o carinho até o ponto em que não há mais volta? Quando todos os amigos não significarão mais nada? Quando será que tudo que irá restar é o que não foi?

Fogo interior. Quando você não está queimando por dentro, está se apagando.

Mas a questão é: diante de tudo o que acontece, como saber se estamos jogando gasolina, ou se aos poucos estamos passando com aviões tanque pela floresta, apagando o fogo e deixando só as cinzas?

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Blue light falls
Upon your perfect skin
Falls and you draw back again
Falls and this is how I fell
And I cannot forget this
I cannot forget this

Come on home
So come on home
But don’t forget to leave

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