Estava lendo o blog “Different Thinker” (umas das minhas assinaturas no Reader). O Mario Amaya estava falando sobre o Redesign da Marca da Porto Seguro… posts como esses – e seus respectivos comentários – me deixam com com uma crise existência…
01 – Eu acho muito chato bitolar nesse nível em qualquer assunto… mesmo em Design.
02 – Acho que o pessoal que comenta trabalha em firmas imaginárias… criticar um trabalho profissional pronto, prestado de uma empresa para outra é tão absurdo – ainda mais quando se desconta o fator cliente – quem em 99% dos casos é o responsável pela situação “o trabalho mais profissional desenvolvido não foi aquele colocado em prática” — isso sempre me lembra a Leroy Merlin questionando a nossa “aplicação duvidosa de cores para contraste na apostila” – utilizar cores complementares para estabelecer contraste agora é duvidoso…
03 – Tudo bem, eu entendo que analisar o trabalho final é uma maneira de melhorar no trabalho… Entendo que é possível avaliar que a tipologia usada não é a mais adequada, ou que a mudança do símbolo causou perda de valores etc… O que eu discuto é que a discussão nos comentários sempre vai para “o trabalho foi feito nas coxas” – coisa que não é possível extrair do trabalho em si – característica marcante de blogs nacionais: a incapacidade de manter a distância em análises técnicas. Uma coisa é dizer “a nova tipologia não tem o peso necessário para demonstrar a confiabilidade que a marca precisa representar”, outra bem diferente – e normalmente o que acontece na seção de comentários – é dizer “a tipologia não tem peso pq esse pessoal de agência faz o trabalho nas coxas” – avaliação objetiva, ou pelo menos a tentativa dela, parece ser algo que caiu em desuso.
04 – Como eu posso pensar em trabalhar com algo assim, quando todas essas avaliações tão subjetivas e baseadas em gostos pessoais me parecem mesmo é um pé no saco?
Hmm, não sei. Não vi isso tão forte no post da Porto Seguro. Vi que tinha de evitar essa saída fácil de o pessoal vir descompromissadamente para soltar coisas gratuitas e até insinceras como “mais um feito nas coxas” e “antes eles do que eu”. Assim, fiz uma crítica muito contida, dizendo apenas coisas bem concretas como “foi bobagem trocarem o barquinho”. Mas não vou carregar o senso moral da categoria dos designers nas costas. Somente assumo a culpa de ter instigado o pessoal com o artigo da Varig. Seria mais produtivo propor um concurso informal de marca alternativa, coisa que o Brainstorm9 fez para o logo da Copa do Mundo.
Juro que estou doido para ver um caso de redesenho de marca brasileira que seja brilhante, evolutivo, bem cuidado e de bom gosto. Mas espero sentado. Tá difícil.