
Lollipop
Upload feito originalmente por Pantera Cor de Rosa
Esse ano, o espírito do Natal (passado, presente ou futuro), não chegou por aqui. Para mim isso é muito estranho: eu
costumo ser a pessoa que quer comprar um gorro de papai noel para ficar
em casa durante o mês de Dezembro, a que quer descobrir a receita de
Ginger Breads e comprar um cortador de biscoito com cara de bonequinho
da Vivo para poder fazer biscoitos… Mas esse ano não!
Talvez, o principal motivo seja que eu estou muito maquinadora – apesar de pouco produtora, esse é um problema.
Muita coisa se resolveu nesse final de ano: eu terminei a pendência da
faculdade, fui jogada de vez na minha área de atuação tendo que segurar
isso com unhas e dentes… E para ser sincera, tenho pensado mais em
como dividir meu dia entre trabalho e reciclagem profissional, do que
em comprar presentes, enviar mensagens de Natal e correr atrás dos
endereços dos amigos…
Pra dizer a verdade ainda, de boas intenções o inferno realmente está cheio.
O plano inicial era mandar um e-mail para TODA a minha lista de contatos,
pedindo todos os dados possíveis: Nome completo (para os colegas),
endereço residencial, e-mails, telefones… me chateia um pouco ter
amigos que eu não sei como entrar em contato, e não tenho a liberdade
de simplesmente mandar um cartão de Natal se me dá vontade.
Para isso eu ia fazer um misto de Newsletter com E-mail MKT, bonitinho, utilizando dados mesclados – vou pular a parte técnica – para cada um ter seu e-mail personalizado com muito cuidado e carinho…
Mas para isso, eu precisava primeiro resolver outra idéia que estava pulando na minha cabeça: a do CLUBE DO LIVRO.
O que eu estava pensando como “Clube do Livro“? Basicamente, criar
uma comunidade juntando meus amigos de escola, trabalho, online,
perdidos, família etc. para retomar um hábito saudável que todo mundo
vive dizendo que quer retomar: leitura regular.
Seria preciso juntar pelo menos 12 pessoas. Cada pessoa escolheria e compraria um romance que estivesse com vontade de ler (e comunicaria ao grupo formado, para evitar que tivessemos 12 “Caçadores de Pipas”).
A pessoa efetuaria a leitura desse livro durante o mês de Janeiro, e em
fevereiro ficaria responsável por passar esse livro para outra pessoa
da lista (por sorteio). Eu montaria um blog pra que todos os participantes pudessem dizer o que estavam lendo, quais as suas impressões etc…
No
final do ano todos teriam seus livros de volta, com notas de página,
marca textos, mensagens etc… ou seja, um livro “Vivo” e que rodou
bastante e cumpriu sua função…
Tudo muito bonito não é mesmo???
Exceto por um detalhe:
- As pessoas não se deram ao trabalho de responder.
(Não estou contando que o e-mail possa ter caído na caixa de spam devido ao número excessivo de destinatários)
Baixa adesão era algo que eu esperava.
Nada mais comum do que a gente ficar repetindo que quer fazer alguma
coisa, mas dando um salto fora quando alguém se propõe a fazer isso
acontecer… O que eu não esperava era a falta de consideração de não
ter nenhum “Ah, acho que não vai dar, fica pra próxima”.
Alguns se interessaram, responderam (tudo
bem que com mais de uma semana de atraso – coisa que eu só achava
possível se tivesse mandado o convite por carta, em “via marítima”, mas
tudo bem). O resto não deu nem sinal…
Mas o que tudo isso tem a há ver com CARTÕES DE NATAL???
Muito, e ao mesmo tempo nada.
Eu não mando cartões de Natal para receber cartões de Natal de volta…
Eu mando para dizer “Pensei em você” – Eu sei que muita gente fica
feliz de ser lembrado, pensa em mandar um de volta e fica nessa… Eu
sei pq eu tenho um cartão de Natal da Srta. Haydeé Svab e um da Srta. Fernanda Panontin de 2006 dentro da minha agenda, pq eu ia responder… Sei pq mandei confeccionar em 2006, na Espanha, 20 cartões “Seja bem-vindo 2007” pra mandar no Natal para os mais chegados… e os cartões continuam dentro da minha pasta de selos…
Eu consigo entender o que faz uma pessoa não escrever de próprio punho um cartão de natal, ir ao correio, postar o cartão etc. Eu só não consigo entender o que faz uma pessoa não responder um e-mail simples, em texto – nem que seja para dizer “Ops, não vai dar, mas boa sorte”.
Foi um “Ahá!” que eu tive… Devo estar construindo relacionamentos muito vagabundos… ou ser mais chata do que eu imagino…
Mas pq vou perder tempo escrevendo cartões – que na verdade seriam um
DVD de “A Felicidade não se compra”, customizado e lembrando que esse é
um dos maiores clássicos de Natal – ou fazendo a versão flash online,
personalizada, para quem não se dá ao trabalho de clicar no Reply e
dizer “To fora!”?
Eu sei que isso vai soar meio “Olho
por olho, dente por dente” – e completamente contrário ao que deveria
ser o espírito de Natal… Mas não é isso que eu quero dizer! É
exatamente ao contrário! Cartões de Natal não saírão do correio comigo
como remetente, nem do meu endereço de e-mail, pq eu não sei mais quem
espera ter contato comigo…
Sumi em 2007 pessoalmente.
Aqui eu estive bem presente. Já disse para uma porção de amigos que é
mais fácil saber como estou acessando esse endereço que perguntando por
e-mail (que eu também demoro muito pra responder durante o trabalho). Mas de fato, minhas prioridades mudaram, eu mudei, as circunstâncias mudaram…
Olho para a minha grande lista de contatos, e não sei quem continuará sendo contatado em 2008 – e quem continuará me contatando… esse foi um preço estranho pago por pular de cabeça no trabalho – não sei se valeu a pena, mas aconteceu.
Talvez eu esteja insistindo em relacionamentos que não estão mais lá. Talvez eu esteja contando com pessoas que não se lembram mais de mim.
Seja como for, acho que estou amnésica do coração.
Então eu não vou mandar cartões de Natal, simplesmente por mandar.
Mas decididamente minha política pede que eu responda seu e-mail dentro de 24 horas – após ter tido contato com ele.