SE EU FALAR MAL DE JUNO BEM BAIXINHO, SERÁ QUE VAI TER ALGUÉM ESCUTANDO?

Estava lendo um post no Carreirasolo.org e pensando em Juno. Pensando que a parte mais engraçada no filme todo, é ela dizendo que “Sonic Youth é só barulho”… Eu queria ter peito de dizer que odeio Sonic Youth quando estava na Federal… Falar mal de Sonic Youth na Federal, em plena década de 90, era o mesmo que entrar em qualquer igreja, no meio da missa e gritar “TUDO NO CÓDIGO DA VINCI É VERDADE”. Polêmico, na melhor das hipóteses.

E Juno me deixou assim em relação a Juno. Mas não vou fazer o mesmo que em relação a Sonic Youth, e esperar mais de uma década pra me manifestar. Todo mundo me pergunta o que achei do filme, pq sabem que eu só funciono em 03 velocidades para filmes (DuhKará, Sessão da Tarde e Lata de Lixo), e esperam aquela crítica apaixonada do que eu achei. Acheio bonzinho… mas definitivamente… Sessão da tarde.

Digamos assim, num ano em que entre os filmes “lights” do Oscar estivessem “Pequena Miss Sunshine” e “Juno”, e alguém me pedisse para escolher entre os dois, eu iria chamar o Nelson, diretamente dos Simpsons para dizer “HAHA” e apontar de maneira debochada a quem indicasse Juno.

- Diálogos rápidos?
Realmente… você vai conversar de diálogos rápidos com alguém que está na quinta caixa de Gilmore Girls, que assistia sessão da tarde na época em os principais filmes que passavam eram ou com a Doris Day ou Katharine Hepburn, comédias românticas da década de 1940 e 1950? Você já leu “O Apanhador no Campo de Centeio”?

- Pessoas Indies, vêm filmes cults… só isso explica.
Pessoas Indies não gostam de Blockbusters… pessoas Indies vão no Belas Artes, assistem “Império dos Sonhos”, acham o filme DuhKará e então vão comentar os significados ocultos na Starbucks, tomando café no copo para viagem no local… Aí quando elas vão ao cinema, vêem um filme com o diálogo bem trabalhado, em que algo realmente acontece em ordem cronológica, e no qual pode se identificar o “começo”, “meio” e o “fim”. Elas ficam chocadas e entram em extase. Mas é claro que elas só foram ver o filme em primeiro lugar, pq ele “supostamente” é “independente” – nesse ponto, há controvérsias. Assim que elas perceberem que esse foi o filme de maior bilheteria nos indicados a melhor filme no Oscar, aquela luzinha interna que diz que “retorno financeiro” e “qualidade” são incompatíveis vai ligar, e aí o pessoal esquece o assunto.

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Aparte: sim, eu vou no Belas Artes direto e isso não é ser hipócrita… Eu só me irrito com a postura de “apenas ver o belo no belo” (citando Oliviero Toscani). Ultimamente ando meio irritada com essas limitações encaixotadas de que criativos tem que se vestir como seu próprio sketchbook, pessoas sérias usam sociais etc. Pré-conceitos não são prerrogativa de “engravatados”, por mais que o All Star mais próximo de você diga que é assim.
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- Eu não quero ser como a Juno, e não acho que sou como a Juno.
Se mais alguém comentar que amou o filme por que acha que se parece demais com o personagem, eu vou vomitar… eu não estou brincando: é estatisticamente impossível tantas pessoas iguais a ela. Ou se realmente forem, isso explica muito da situação atual do mundo. Veja bem, eu adorei a personagem: ela é inteligente e original, e eu adoro personagens assim. Mas ela é disfuncional. Disfuncional por disfuncional, eu fico com a pessoa que eu conheço e olho todo dia pro espelho… afinal, de perto, ninguém é normal – mas são todos interessantes (é por isso que estou enviando um projeto de lei ao congresso americano para que todos os diretores e roteiristas de filmes biográficos, que deixarem o personagem desinteressante deverão ser fuzilados).

Desabafo feito, eu só quero dizer: EU GOSTEI DO FILME. Só não esperem um poster laranja no meu quarto, que eu tenha o filme em DVD pra emprestar em alguns meses, ou que ele esteja entre meus filmes prediletos nos meus perfils online. Fico mais com o comentário do Jon Stewart durante o Oscar: “Em um ano em que os principais protagonistas são todos assassinos seriais e psicopatas, graças a Deus pela gravidez adolescente”.

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