Arquivo para November, 2008

Felicidade Sintética

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… é mesmo, não vamos dizer nada, ok?

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Man, Man, Man, Man


Man, Man, Man, Man, upload feito originalmente por Prix Dekanun.

Cansei de olhar o desenhos e só encontrar um monte de mulheres. A minha meta para 2009 agora é: encher o Flickr de homens!

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DE VOLTA AO PASSADO

Antiguidade, upload feito originalmente por elieserleao.


“Digita o local no Flickr, que você vai ver umas fotos muito mais legais”
. Foi assim que me certifiquei que os tempos mudaram. Enquanto minha jovem amiga universitária fazia seu trabalho de história da Arte, vi que as crianças de hoje não tem como nem por onde serem semelhantes as de ontem.

Na minha época pré Internet, sem computadores pessoais, sem conjunto de enciclopédias que acompanham jornais e revistas, e sem linhas telefônicas (a primeira de casa foi instalada quando eu tinha 17 anos), pesquisa escolar era sinônimo de uma coisa: visitar a Pedro Nava – que costumava ser a referência do cruzamento da Caetano Álvares com a Voluntários da Pátria. Hoje em dia, o cruzamento do Mc Donalds.

- É fica alí perto do Mc… sabe onde tem aquele negócio da prefeitura?”
- Ah, o posto de saúde?
- Não… acho que é uma delegacia!

Sim. Bibliotecas públicas são as coisas mais percebidas nas paisagens urbanas. Ou a segunda coisa mais percebida… logo atrás dos mendigos e moradores de rua.

Fazer pesquisa há 18 anos atrás fazia parte de todo um ritual. Primeiro, você selecionava um caderno que pudesse arrancar folhas – que afinal, você não pode entrar com seu caderno da biblioteca – pelo que parece, na mente dos bibliotecários, um caderno brochura é o melhor lugar para esconder e se escafeder de maneira desapercebida com um volume da britânica. Depois uma série de lápis que pudesse colocar no bolso, já que canetas esferográficas, apontadores e estojos estavam definitivamente banidos do ambiente da biblioteca.

Não podia esquecer também nem o RG, nem uns trocados. Com sorte, se o seu material de pesquisa não tivesse mais do que 05 páginas, você poderia retirar o livro por um período de 01 hora. Nessa hora você deveria localizar uma xerox, e fazer o cara assinar um documento certificando que você só hávia xerocado as páginas que estavam autorizadas no seu recibo de saída… Se você enlouquecesse, poderia até abrir mão de ter o RG de volta e não devolver o livro. Seria apenas colocado numa “lista negra de frequentadores de bibliotecas públicas”, que seria sempre checada caso você fizesse o mesmo em outra biblioteca (zero pontos para a capacidade de prevenção de delitos).

Mas xerocar material era lucro. Quando estava na terceira série precisei fazer uma pesquisa para a “Festa do Folclore” (hoje em dia parte do folclore são essas feiras em escolas públicas). Meu tema: As Amazonas! Primeira luta: convencer minha mãe da necessidade de ir até a biblioteca pesquisar… No que lhe dizia respeito, eu havia apenas entendido errado e meu tema era “O Amazonas”. Olhamos na Trópico, nada sobre nem um nem outro (trópico era uma enciclopédia de 20 volumes, totalmente década de 1970 que tínhamos em casa, fazendo compania para o “Manual do Escoteiro Mirim” do meu pai). Restava ir até a biblioteca mesmo.

Chegando lá, procura o tema naquele item de usabilidade 0,01 (arquivo de fichas). Minhas amazonas estavam na Barsa, em um de seus volumes. Localizei o volume, depois a página e finalmente o verbete. Lá estava o meu prêmio por ter seguido todo o ritual, em linhas e quantidades semelhantes a essa:

Amazonas (adj. fem. pl.): Guerreiras da mitologia grega que viviam isoladas dos homens. Retornavam apenas uma vez por ano para encontrar um homem com o qual pudessem ter um filho. Se esse filho fosse uma mulher, a mãe a criaria como uma guerreira. Caso contrário, a mãe devolveria o menino ao pai para que fosse criado entre os seus iguais.


Olhando o que a Wikipedia escreve sobre Amazonas, vejo que nessa época a gente se contentava com bem pouco.

Hoje não tem nada disso. Wikipedia, apesar dos preconceitos é um ótimo ponto de partida. Até os preguiçosos que decidam parar por ela, terão mais material para trabalhar em cima do que o mais bem intencionado CDF da minha época. Ajudando no trabalho de história da Arte, vasculhando pelo Flickr por monumentos famosos, estava vendo o quanto era irrelevante encontrar fotos em enciclopedias ou livros escolares. Procurávamos pela Catedral de Notre Dame, e não só era possível encontrar fotos de qualquer ângulo, como de seu interior, suas gárgulas, seus detalhes. Você puxa um fio, pode desenrolar o novelo todo e até chegar na ovelha que deu origem.

Dá até uma certa invejinha das crianças de hoje. Vontade de pegar o meu Delorean, buscar a garotinha decepcionada com a pesquisa das Amazonas, e apresentar a Wikipedia, o YouTube e o Flickr até não poder mais.

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Confrontada com estar planejando a Pós, e mais um período decidido de 05 anos de estudo, comecei a me lembrar que o tempo passa, e você pensa que foi fácil chegar até aqui, ou não dá o devido valor ao que investiu, ou ao tempo e cuidado que seus pais investiram para que você chegasse até aqui – ainda achando que isso “não é grande coisa”. Não quero ser leviana em relação a isso. Então ainda me choca muito quando eu vejo gente recebeu muito disso de mão beijada e faz pouco caso. Ou pior, confunde uma falta total de disciplina e coragem para levar esse compromisso adiante, com “ter um espírito livre demais pra essas amarras”. É… liberdade, criatividade… palavras mal utilizadas à exaustão.

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Sobre Crianças, Nanquins e Abelhas.

indian ink, upload feito originalmente por fruitcakey.

“Aperta, aperta, aperta que vai sair”. Meu pesadelo era sempre assim. Ainda criança, alguma professora de educação artística malvada ensinou que a tinta nanquim, também chamada de tinta da China, era extraída da raia. Na inocência de criança, imaginava o pobre do bichinho sendo exprimido entre as mãos de um pescador malvado. Olhava o vidrinho de tinta com desconfiança, tentando imaginar quantos desses uma raia toda exprimida poderia dar. Dúvida eterna, pobre da raia.

Já as abelhas, no entanto, não partilhavam da mesma simpatia infantil. “Comunistas”, dizia uma tia, queriam dividir todos os meus bens mais caros: sorvetes, refrigerantes e cachorros quentes. Eu, capitalista e empreendedora, inventava sempre maneiras cada vez mais engenhosas de proteger minha propriedade: engenhocas de guardanapos, copos e sacos plásticos, um canudo aqui outro lá… Tudo eficientemente combinado para capturar e apreender essa invasora.

Mas muito tempo se passou desde a minha simpatia pelo destino das raias e minha luta com as abelhas pelo domínio das guloseimas. Tempo suficiente para que o buraco da camada de ozônio desse lugar ao aquecimento global na lista das preocupações principais que irão destruir a humanidade. Lembro até de uma conversa surreal escutada certa vez na fila do banco: “Mas e que fim levou o buraco do ozônio?”, “Taparam, ora bolas!”, “Mas tamparam como?”, “Mas você é burro hein? Que você acha que a esquadrilha da fumaça faz?”.

Hoje o nanquim não é extraído das raias – se é que já foi um dia. Não perturbo mais meus sonhos pensando na China como um país que come cachorros e espreme raias. Hoje em dia essa tinta é um preparado químico que mistura algumas substâncias aquosas com partículas de carvão. “Nenhuma raia foi ferida durante a produção desse material” é um adesivo que a minha criança interior gostaria de ver nos vidros de nanquim. Ela também não precisa mais temer que as raias sumam do planeta por conta da tinta… Mesmo assim as raias somem. Talvez as raias acreditem, assim como a minha criança interior, que essa história de “produção química” é uma grande balela – e por via das dúvidas decidiram se escafeder!

O comunismo também saiu de moda desde a minha infância. Ninguém mais quer dividir nada… Nem as abelhas. Outro dia comia um cachorro quente ao ar livre, desocupada e displicente, com todos os complementos possíveis e um refrigerante muito convidativo. De repente, me apercebi do que fazia. Olhei para os lados, procurando pela sociável abelha se achegando em seu vôo simpático que em “abelhês” deve significar “Oi, me dá um pedaço?” – como se eu tivesse em algum momento dito “Está servida?” – e nada! Andei alguns passos de um lado para outro, provocando uma visita… Nada! Pensei em correr de um lado para o outro, gritando e pedindo pela minha mãe – tudo no espírito de relembrar os velhos tempos – mas não apareceu nenhuma abelha saudosa. Acho que ficamos engenhosos e empreendedores demais: todos os guardanapos, copos e sacos plásticos finalmente funcionaram.

Para onde foram as abelhas, cada vez mais desaparecidas? Alguém sabe algo das raias que soltam um líquido preto e viscoso na água toda vez que se sentem em perigo? Aparentemente não… Só se sabe do líquido preto e viscoso que nos coloca em perigo. Não se sabe de mais nada, ou não se apercebe de mais nada.

Indelével. Essa é a principal característica do nanquim, das memórias infantis e da dor das picadas por abelhas. Nas minhas lembranças, são assuntos todos interligados e indeléveis – mas aparentemente não indestrutíveis. Um dia as abelhas viram figuras raras, no outro as raias… Quem garante que para mim não é só um passo? E nesse passo, começo a pensar se não é hora de começar a fazer alguns desenhos de abelhas e raias, para que possa apresentar aos meus filhos. Em nanquim é claro… Só pra mostrar que algumas marcas e criações humanas são assim… Indeléveis.
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Essa foi a crônica escrita para o concurso de Crônicas da Astra, sobre o tema meio ambiente. A Elaine, o Denis e eu ganhamos apenas experiência – nenhuma das nossas cronicas selecionada entre as 20 mais. Tudo bem que nossa esperança de ganhar qualquer coisa desapareceu depois que a comissão julgadora foi anunciada: A Academia Feminina de Letras de Jundiaí (num concurso em Jundiaí). Resultado, 30% dos vencedores de Jundiaí, e 70% dos arredores. Mas valeu o exercício e realmente ter participado… Não apenas pensado em participar e deixado de lado depois.

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