NÃO NEGO O PASSADO, NÃO ME ASSUSTO COM O FUTURO… MAS PREFIRO O PRESENTE.


Axl Rose, upload feito originalmente por UziSuicide.

Hoje meu primo fez a inevitável pergunta, que eu já aguardava há um tempo:

“Pri, você vai comprar o Chinese Democracy”.

Sorte que a pergunta foi por MSN. Que na hora eu não pude evitar aquele bufar de desprezo, que sai pela boca e nariz, quase sempre acompanhado de um “Nem!!!”. Meu primo tem 23 anos. Fanzoca de Guns ainda, mesmo não tendo idade pra ter sido fã de guns.

Nem eu tenho idade pra ser fã de Guns. Eu comecei a gostar de Guns ‘N’ Roses no segundo Rock in Rio (na época que, veja só você, ele acontecia mesmo na cidade maravilhosa – há controvérsias quanto ao “maravilhosa”). Esperei o Festival na TV para ver New Kids on the Block, e terminei apaixonada pelo loirão de calça de lycra branca. Eu tinha 11 anos.

Mas isso foi há muito tempo. Mesmo sendo apaixonada pelo Axl, mesmo considerando que gordo, descabelado e mal vestido ele ainda é uma das melhores combinações que um cromossomo Y e X podem fazer juntos, não dá pra ser fã de Guns ‘N’ Roses ainda, como se nada tivesse acontecido.

Guns pra mim é a última banda agregada na discografia do meu pai. Foi nele que meu pai parou de agregar novas bandas. Não posso culpá-lo. Tenho certeza de ser filhote da geração Grunge, pq meu pai, roqueiro de carteirinha, fã de Pink Floyd e Led Zeppelin, carinha que saia pintado de Alice Cooper na rua, jamais foi capaz de entender como eu pude gastar meus pedidos de Natal pra ganhar um “Nevermind” ou “In Utero” – era a minha geração, mas demais para a dele.

Hoje em dia, é inevitável perceber que o fim (ou suspensão) do Guns and Roses foi a morte definitiva de um estilo… o fim do Hard Core legítimo. Depois disso eu já passei pelo Grunge, pelo Brit Rock, pelo New Punk, pelo New Bowie (essa coisa que as pessoas insistem em dizer que é “indie”). Nem vou citar “Emocore” que isso não passou por mim, não é música, e se eu quiser andar de rímel borrado, vou comprar um vagabundo por aí e tomar chuva.

Além disso, Axl nos vocais é tão Guns quanto Dave Grohl nos vocais é Nirvana… simplesmente não é! Assim como é impossível “Velvet Revolver” ser Guns sem Axl… não acontecem. Não há nome que mantenha a sensação…

Estou acostumada a reclamar que Doors sem Jim Morisson não é Doors. Ou que Queen sem Fred Mercury não é Queen. Algumas pessoas até teorizam que essas bandas são os seus vocalistas. Não é isso. É que banda de rock não é time de futebol. Não adianta dizer que vai honrar a camisa e dar o melhor de si. É química. E a alteração dos elementos altera sim o resultado final.

Tive um professor na Carlos de Campos, o Neo, que explicou algo muito fundamental e foi mal compreendido em sala de aula. Resumidamente, ele disse que ficava com medo de pessoas novas escutando músicas velhas. Absorvendo coisas de um contexto passado, que não refletiam o mundo em que elas viviam… Especialmente porque essas pessoas não gostavam só de músicas velhas… elas tinham idéias velhas, conceitos ultrapassados, e muitas vezes quando tinham uma “idéia nova”, era só um velho clichê modificado, completamente fora de época.

Quando ele disse isso, caiu como uma bomba. Pra mim ele estava certo, assustadoramente certo. A mente foi direto na galeria do rock e sua estética coletiva de final da década de 70 e seus punk-rocker sistematizados querendo lutar contra o sistema, até as conversas políticas dos amigos “Buarqueanos” e suas visões de mundo em uma eterna guerra fria.

E quando você diz isso, sempre tem aquele amigo pra dizer “mas hoje em dia não se fazem mais músicas boas como antigamente”… é caro amigo, nesse caso só posso lhe dizer algo: você está velho. Não existem músicas como de antigamente porque não é mais antigamente… as coisas mudam, as referências mudam, valores, conceitos… hoje em dia, se o Axl aparecer na minha frente de shortinho de lycra, eu vou é dar risada a tarde inteira (David Lee Roth então poderia provocar morte por sobrecarga na musculatura interna de tanto rir).

Por mais que as coisas sejam cíclicas e você perceba uma certa onda de repetição (que geram as minhas brincadeiras como: The Killers é o The Cure da década de 2000, ou Franz Ferdinand é OingoBoingo 2.0), elas são semelhantes, não são iguais…

E eu tenho um medo danado de quem segura o passado com toda a força possível, querendo fazer algo bom durar para sempre. É um desrespeito ao ciclo da vida… acaba com aquela cara esticada e repuxada da Vera Fisher, ou aqueles velhos que dão nojo ao lado de garotas com idade pra ser neta deles. O resultado cheira naftalina, não tem jeito…

E tudo isso pra dizer que não, eu não vou comprar o Chinese Democracy.

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