“Nova possibilidade mercadológica”. “Nova fronteira do cinema”. “Nova chance para um mercado em contração”. Depois de algumas aulas sobre crítica de arte na pós, especialmente cinema, não faltam termos que possam ser ligados ao que significa o cinema 3D para a indústria cinematográfica hoje em dia.
Ainda olho para o tema meio desconfiada. Acrescente ao 3D cheiros e sensações, e você terá o “Cinema Sensível” de “Admirável Mundo Novo“. Junte a mega tela que nos cerca no Imax, e temos a sala “da família” de “Fahrenheit 451“. Mas estou avançando demais… Ainda não dá para levantar esse tipo de discussão com o cinema 3D que se apresenta. Ainda estamos na fase do exercício de ver “olha, isso salta mesmo da tela, não é legal?” do que em ver uma modificação da linguagem cinematográfica pensando já na experiência de uma sessão 3D – que me corrija quem já viu “O Dia dos Namorados Macabro“.
A discussão ainda está no nível dos proprietários de salas de cinema, e quanto do maquinário eles conseguirão atualizar e quanto eles conseguirão cobrar pela experiência 3D.
Monstros vs. Alienígenas foi a minha segunda experiência com esse tipo de cinema depois do surgimento das salas 3D, seguindo Coraline. Antes disso, fora do Hopi Hari, eu só hávia tido uma péssima experiência com “Pequenos Espiões 3D” e seus óculos vermelhos e azuis que mais tornavam a imagem psicodélica do que tridimensional.
Coraline foi um ótimo desenho infantil de terror (como os contos de fadas da Disney infelizmente deixaram de ser há muito tempo), com uma tímida incursão com alguns elementos 3D. Já “Monstros” foi uma empreitada um pouco melhor – mas ainda tímida – nas possibilidades do 3D, que infelizmente esqueceu a outra parte… Esse negócio superficial sabe, chamado… Roteiro. Nada que fãs da Dreamworks Animation possam notar no entanto… Digno de filmes como Shrek, Kung Fu Panda, Madagascar etc. Somente não é um filme da Pixar…
O que eu acho mais interessante é que o posicionamento da Dreamworks é fazer filmes infantis, exclusivos para crianças. Ela não se preocupa em oferecer leituras mais profundas para outras idades, são as crianças que tem que gostar – os pais e acompanhantes no máximo simpatizar e suportar. Até aí, ótimo: posicionamento é posicionamento. Eu só gostaria de entender porque em qualquer filme da Pixar, as crianças ficam silenciosas até o fim, mandando calar a boca de quem fala em momentos inapropriados, e em filmes da Dreamworks elas dispersam, saem mais cedo e são incapazes de prestar atenção depois da metade do desenho… Suspeito que a Dreamworks faz mesmo filmes para crianças, mas não para aquelas que vão ao cinema.









