PASSED THE POINT OF DELERIUM

Existem momentos em que você adquire um bom senso fundamental, um momento de iluminação. Infelizmente, os meus costumam vir nas vésperas de uma madrugada com trabalhos atrasados e seminários para preparar sobre livros que não li.

O momento atual celebra um simples pensamento: WHAT HELL ARE YOU DOING?

Várias coisas contribuem para isso. Estar a 04 meses de completar 29 anos. Estar num quarto, perto da meia noite, com um roteiro para finalizar, um livro para ler, um seminário para preparar… Tudo antes das 06:30 da manhã… Cercada de uma montanha (não é figura de linguagem) de livros que eu não tenho tempo de ler, de filmes que eu não consigo ver e de materiais de pintura que eu não posso usar, com uma pilha de roupas que espera semanas para ser arrumada e uma organização digna de quem sofre de estágio máximo de cluttering.

E então constatar que eu pago um senhor curso de Pintura que eu não consigo freqüentar; uma senhora pós-graduação na qual eu não consigo me aprofundar; tudo isso para ser cobrada por projetos que eu não tenho tempo, fôlego ou capacidade de entregar, gastando desapercebidamente os melhores anos da minha vida para fazer amigos, curtir a vida, tentar formar uma família… E tudo isso pra no final do mês conseguir um salário que qualquer trainee com 10% da minha experiência teria receio em aceitar, acreditando que as coisas um dia vão melhorar (como eu não sei, já que estou me consumindo)…

Veja bem, eu gosto de trabalhar – eu disse gosto. A definição Workaholic não se aplica para mim, pois Workaholics amam trabalhar como loucos… Eu sou uma Guiltaholic, uma viciada em culpa que assume como responsabilidade pessoal muita coisa que… Simplesmente não estou afim de fazer – então eu me debato por horas não trabalhando, mas tentando vencer a última fibra do meu ser que diz “você não nasceu pra isso, e sabe disso” na esperança de finalizar alguma coisa. Eu nunca fui a pessoa que joga o lápis na mesa às 18:00 horas (principalmente porquê eu nunca fui a pessoa que chega às 09:00), mas costumava rolar uma variação de uma hora aí. Hoje em dia eu acordo às seis, tomo uma xícara de café, ligo o computador e… Já não sei de mim… pra chegar até às 02:00 da manhã, ainda sem saber de mim.

Minha saúde, meu peso, minha pouca beleza já foi pro saco.
Minha vida pessoal não existe.
Sonho pra mim é um final de semana que eu faça qualquer coisa sem sentir o coração apertado por algum trabalho atrasado, ou sem sonhar com a bronca de algum cliente.
Os amigos não ligam mais, porque sabem que eu não retorno.

Então eu penso em filmes como “O sol de cada manhã”, “8 Mille” e “Pecado Original”. Tento considerar se não sou a pessoa que simplesmente não assume que essa é sua vida, e procura um lugar mágico em que esse tão sonhado sentido, felicidade e potes de ouro no final do arco-íris existam… Gastando muita energia, cometendo muita auto-sabotagem, sem se dar conta de que… É isso! Não existe nada mais brilhante na cabine três, nem mais maravilhoso embaixo do chapéu amarelo. Mas então porquê o coração nunca se acalma, nunca sossega, e um milhão de vezes se recente com a certeza alheia?

Não estou desesperada, deprimida ou desiludidada. Eu simplesmente estou olhando pra vida como está (ou serão as coisas como são?) e pensando: “Não, não é assim que eu quero!”.

No fundo, sempre parece a vida sacaneando por eu ter deixado de lado tantas coisas que eu não sabia como transformar em forma de ganhar a vida, e simplesmente perceber “Bem, vc está fazendo coisas mais ‘sensatas’, mas continua não ganhando a vida”.

And then I ask myself:
If you’re going down anyway, why aren’t you going your way?

I’m having trouble trying to sleep
I’m counting sheep but running out
As time ticks by
And still I try
No rest for crosstops in my mind
On my own… here we go
My eyes feel like they’re gonna bleed
Dried up and bulging out my skull
My mouth is dry
My face is numb
Fucked up and spun out in my room
On my own… here we go
My mind is set on overdrive
The clock is laughing in my face
A crooked spine
My sense dulled
Passed the point of delerium
On my own… here we go
Green Day – Brain Stew.

Blip.fm.

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