A situação não é nova. Já passei por ela diversas vezes. O que surpreende no caso, é a minha capacidade de me colocar na mesma situação, mais uma vez.
Deve ser efeito do excesso de HQ, desenhos animados e filmes americanos. A mocinha da história – gosto de pensar que sou eu – acredita que o único caminho para a felicidade e satisfação, é o de “batalhar por algo”. Então ela não escolhe o caminho das coisas que são, ela escolhe o caminho do que pode ser.
Para uma pessoa normal – que a mocinha costuma taxar de mediana – não tem isso. A pessoa quer cantar, vai ser música. Quer desenhar, vai ser ilustrador. Quer fazer filmes, compra uma câmera e vai fazer projetinhos. Mas isso para a mocinha é simples demais: a pessoa está crua, sem preparo, e muitas vezes troca o almoço pra pagar a janta. A mocinha parte do princípio que isso não é vida.
A vida, está na batalha. Então a mocinha escolhe uma coisa que não é bem o que ela gostaria – não é nada como aquilo que ela gostaria, para nenhuma outra pessoa que não ela; mas ela “vê a matrix” das semelhanças e habilidades transferíveis, e então se satisfaz com as semelhanças. Para ela, o caminho é lógico: dê duro nisso hoje, alcance uma proficiência nisso amanhã, e quando você dominar esse mundo na outra semana, aí sim, você vai estar em condições (financeiras, psicológicas e de vida) de realizar aquilo que queria fazer… Aquilo que nem é seu plano B, por que o plano B é isso mesmo que ela vive hoje.
… Mas esse dia, nunca chega.
A mocinha conhece sua parcela de culpa nisso. Mas a maior parte da sua culpa, é se manter em situações semelhantes e que tiram o mesmo dela diversas vezes…
Ela acredita nas proibições paternas relacionadas a sua adolescência, só pra perceber depois que poderia ter se revoltado – era parte do processo – dribá-las, e realmente viver.
Ela acredita que dedicar dois anos de trabalho a uma grande empresa financeira, embora não seja o seu sonho de vida vai lhe dar os meios de fazer o que quer.
Ela acredita no chefe que mostra todos os pontos que ela ainda tem que aprender a vencer antes de assumir mais responsabilidade, ganhar mais dinheiro e executar mais funções que realmente lhe agradem.
Ela acredita no sócio que diz que trabalhar 90% no que ela já havia dito pra começo de conversa que não queria mais, é passageiro, é fase necessária e que um dia tudo vai melhorar.
Ela acredita no namorado (agora ex) que as coisas são dificeis, o tempo é escasso e que o amor deles é o mais importante.
Tudo por que ela acredita na batalha.
E acredita que a tão sonhada satisfação, um dia chega…
E aí a adolescência passa e as oportunidades se foram…
Dois anos se passam e sua alma se foi e nada ajudou em nada…
O chefe muda de foco e descarta seus anos de batalha como se fossem pó…
O sócio se vê cada vez mais feliz e próspero na vida nada relacionada a sociedade..
O namorado desaparece no mundo como se nunca tivesse existido.
E a satisfação, que nunca foi pra hoje, claramente não é para amanhã também.
Por que a felicidade que ela comprou à prazo, os outros sempre compraram à vista.
Por isso que me dá vontade de matar sempre quando eu vejo alguém optando pela escolha “mais sensata”. Pessoas que querem profissões “seguras” quando queriam estar fazendo uma coisa totalmente diferente, que fazem questão de ter um “plano B”.
Segurança não é certeza.
Segurança não é satisfação.
E o plano B na verdade não serve de nada!
Como eu sei?
EU VIVO MEU PLANO B.



