Há alguns anos atrás eu escutei um ditado que não me lembro exatamente, na linha de “Quem nasceu pra burro, nunca chega a cavalo”. No momento, aquela observação me irritou muito – vinha de alguém que eu considerava um tanto quanto elitista, sobre uma pessoa que eu considerava cheia de potencial.
O tempo passou, a vida aconteceu e hoje eu vejo que estava 50% enganada. A pessoa tinha sim potencial… E vai ter, acredito, pelo resto da vida… Mas é isso, e só isso: potencial. Não vai virar nada além disso. A gente tem uma doce ilusão que pode empurrar a vida das pessoas para frente. Uma doce ilusão egoísta, que não pergunta se a pessoa está feliz como está, só quer ser parte construtora do sucesso que a levou de uma ponta a outra. É difícil, chega até ser dolorido, assistir quem poderia ser 10 se divertindo, reclamando e patinando na casa do 04 – mas não há muito como evitar. Só se chega a novas terras acreditando na visão de um novo mundo; então é impossível fazer alguém colocar o barco no mar sem acreditar que vai chegar lá.
Acho que vou ter que dar o braço a torcer mesmo. Dia após dia eu vejo que o burro poderia ser cavalo… Mas ele não quer. A gente sempre escolhe, mesmo sem tomar uma decisão.
Melhor eu me concentrar nas minhas limitações mesmo.
Nessas, ainda tenho alguma poder e responsabilidade pra fazer algo a respeito.










