Planning on going rogue!




Decepção, upload feito originalmente por JediMasterNeves.

Final de ano é um bom período para pensar à respeito da vida – é tradicional pelo menos. Eu só gostaria de não ter tanto para pensar à respeito nesse final de ano. Especialmente porque o sentimento de “pensar e repensar” está diferente – não é um ideal romântico de como a vida deveria ser… É mais a maquinação de um plano que será realmente seguido – eu tenho poucos desses espasmos ao longo dos anos, mas eles costumam ser significativos.

O sentimento é básico: eu cansei de esperar. Em todo lugar que estive para tentar desenvolver atividades profissionais, eu sempre estive na espera. Uma hora na espera por mais experiência. Uma hora na espera por abrir mão das atividades que não significam nada para mim e passar para as que eu realmente quero fazer. Na espera por melhores perspectivas de negócios. Na espera por melhores projetos e melhores clientes e… Sincera e delicadamente: foda-se.

A posição alheia (seja lá quem no período seja o “alheia”) é sempre a mesma: “Gabarite no desenvolvimento de um conjunto de habilidades que você nunca quis e eu acho fundamental, que eu lhe darei os meios de executar aquelas que você quis desde o começo”. O detalhe é que para uma junkie de informação, pedir para dominar uma atividade é uma armadilha certa – será quase irresístivel dizer não… mesmo se fosse qualquer outra atividade. E eu caio. Caio. Não tem palavra melhor.

E aí eu fico presa nessa armadilha. Por que eu sei que nesse meio em que estou, a dedicação não compensa. É como ser designer em uma agência de publicidade: você pode saber que cores X, Y, e Z ficam melhor no produto do cliente – se ele quiser na verdade, a despeito dos seus conhecimentos, amarelo limão e rosa chocking, é assim que vai sair. Como motivar profissionais em início de carreira a adentrar nessa linda e divertida atividade?

O que eu percebo, agora mais do que nunca é: eu não preciso esperar. Eu posso “me rebelar contra o sistema”, mesmo que o meu sistema sejam 06 dúzia de pessoas – de fato, as pessoas-chave desse sistema já se rebelaram… E continuam a se rebelar, as custas do meu sangue e das minhas renúncias.

Se perdoam as pessoas que não dedicam o mesmo número de horas à empreitada nem estabelecem metas em suas respectivas áreas – pq elas precisam mesmo é estar voando, e cuidando da própria vida e avançando. Mesmo que isso signifique menos projetos, menos entradas, menos pessoal e consequentemente menos sono (para você). Mas tudo isso vale a pena… Pq quando alguém segue sua verdadeira vocação, isso vai (no futuro, é claro) trazer consequencias positivas para todos nós… a gente imagina.

Se perdoam as pessoas que não são da área; não querem ser da área; não podem investir tempo ou vontade em ser da área porque estão apenas numa atividade temporária – então podem cometer erros, fazer horários diferenciados, escrever e-mails piegas de cobrança e por meses usar os atributos supracitados como desculpa para todo o resto. O salário, no entanto, é aceito corretamente de bom grado, condizente com a área que “atuam” – seria “atoam”?

Enquanto isso, as falhas que acontecem sob a sua supervisão são mesmo as fundamentais. Não se vendem mais projetos, porque não se entregam mais projetos – não porque não se prospectam mais projetos, ou porque você tenha que realizar seus projetos pra começo de conversa com pouca equipe e encabidados incompetentes. E você anda soltando a mão pq insiste nessa história de se alimentar e dormir… e dorme demais, é fato – pq nunca chega na hora. A hora é as 09:00 da manhã… preciso me lembrar disso ao sair da empresa às 22:00/23:00… Ou quando as coisas “rapidinhas” chegam no final do dia, pra ontem – e é só “fazer uma coisinha, pq está tudo alí”, desorganizado, desformatado etc.

Você vai me dizer o que a maioria das pessoas diria – e eu sei, e eu me digo também: é assim mesmo, isso que é trabalho. Isso é fato, não nego. O que eu me recuso, com unhas e dentes e cada vez mais decidida é: QUE ISSO SEJA O MEU TRABALHO. Não é uma questão de achar que eu sou muito boa pra coisa – é uma questão de saber que essa NÃO É A MINHA COISA…

Meu pensamento está se ajeitando internamente para uma conclusão que eu já sei há algum tempo: eu sou uma produtora, não uma prestadora de serviço – e isso é um diferencial tremendo em abordagem. O trabalho duro de um produtor, é vender o que se produz – o legal, é poder ser o mais freak possível em relação a qualidade. Na prestação de serviço, o legal é vender – o duro, é atender o cliente. Eu tenho uma empresa de prestação de serviços… Eu não sou de vendas… Logo, não há tesão suficiente nisso pra mim – e exatamente a coisa que eu gosto de fazer não tem valor.

É a diferença entre uma Apple e uma Microsoft.
Entre um Steven Spielberg e um George Lucas.

Infelizmente nessa migração é preciso ser orquídea por um tempo; usufruir de uma estrutura que já está montada para alavancar outra coisa – going rogue, mesmo – só que dessa vez, eu quero ser a orquídea, e não a árvore.

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