Conversávamos dia desses, Elaine e eu, sobre essa tendência à supervalorização do próprio esforço no mundo das artes comerciais (ilustração, design etc.). Primeiro, não é verdade… Não é uma questão de supervalorização do próprio esforço, mas de reenquadramento da própria mediocridade…
Se eu desenho uma mão tosca, é isso: eu desenho uma mão tosca. E acredite, eu realmente sei desenhar uma mão tosca pra valer! Meu Flickr está repleto delas – e cheio de exemplos toscos. Meu compromisso alí não é dizer “olha, que bonito”, mas sobreviver ao “nossa, é você que faz essa M?” – Cada um com suas questões Freudianas para resolver.
Mas quando você costuma ver portfólios com regularidade, blogs de ilustradores/designers etc… São sempre os “Wannabes” os mais falantes. “Muita conversa para pouca arte” – como diria a Elaine. Seria como se eu pegasse uma das minhas mãos toscas e começasse:
“Aqui eu quis resgatar o primitivismo da função da mão enquanto receptáculo e agente de interação do homem com seu ambiente exterior, imprimindo o revés da conturbação da sua alma em profundo questionamento de si, enquanto mão”.
Tudo isso pra simples verdade: mão torta, dedos não proporcionais: minha anatomia é uma M!
No entanto, parece ser uma constante que “ser artista” é sinônimo da explicação conturbada e não da obra que se explica. Veja bem “ser artista” para quem não o é: pessoas com um trabalho realmente sério não costumam sofrer desse “eu quis dizer”, simplesmente porque dizem! Lembro do meu professor de fotografia digital na faculdade (o Luli) dizendo que nossos trabalhos de fotografia não deveriam ter legenda… Concordo: se não deu pra entender, não foi claro! Por favor, não explique a piada.
