Estou em choque!
Já não bastava a tonelada de bobagens sobre “Geração Y” que pululam por aí, agora começaram a chegar no meu Google Reader os artigos sobre uma infame “Geração Z”. Isso indica que em breve, a temporada de bobagens e generalizações estará aberta. Uma tsunami de bobagens e generalizações, pode esperar…
Falar de “Geração Y”, é acertar a minha espinha nervosa com uma machadinha cega! De todas as coisas que se escuta no mercado corporativo, poucas são tão irritantes, insignificantes e mal representadas como essa. Quando eu estudava “Psicologia do Consumidor”, pensar em Baby Boomers, Geração X, Geração Y até fazia sentido – pouco pelo “perfil” tão alardeado de cada fase; mais pelo fato de que se você quer conquistar corações e mentes (na época que eu quis ser Publicitária, a Publicidade ainda tentava isso) você precisa conhecer o repertório e imaginário com o qual está lidando… Sob esse aspecto, pensar nessas categorias ajuda. Mas para por aí.
Agora o que eu encontro são 10.000³ artigos sobre “Como encantar a geração Y”, “Como lidar com a geração Y no mercado de trabalho”, “Como estabelecer comunicação com a geração Y” e blá, blá, blá. O mais interessante, é que muito desse blá, blá, blá vem exatamente de pessoas na minha faixa etária (que tecnicamente pertencem a tal da geração Y, já que se considera que essa seja a geração de nascidos pós 1979), como se estivessem falando de algum extra-terrestre descido na terra na semana passada.
Não estou ingenuamente querendo negar que existam diferenças de geração para geração – de maneira nenhuma, elas existem MESMO. Mas não são tão significativas assim que mereçam livros, tratados, vídeos, documentários e o diabo a quatro. Gastar tempo e dinheiro para bolar estratégias para “cativar e tornar o trabalho interessante” para essa ou aquela geração é de doer – motivação para o trabalho é conta para pagar no final do mês. Esse é o fato! Um trabalho “motivador e significativo” não é responsabilidade da empresa, é responsabilidade do indivíduo. Não quero ninguém me enganando com puffs no lugar de mesas, falsas libertadades e o diabo a quatro, enquanto me pede pra trabalhar 14 horas por dia e não ter vida pessoal (referencias sobre o vídeo do Google são necessárias*).
Recentemente, por indicação do meu professor de desenho, li o livro “A arte cavalheiresca do Arqueiro Zen“. O livro é um relato auto-biográfico do pesquisador e filósofo Eugen Herrigel, sobre os anos que ele passou no Japão aprendendo a Arte do Arco e Flecha como forma de adentrar na doutrina do Zen. O interessante do livro – e o motivo pelo qual o livro foi indicado – é perceber a relação entre quem somos como pessoa e as dificuldades encontradas para “aprender” uma arte; como as nossas pré-concepções, falta de paciência etc., afetam o processo. E a transmissão desse conhecimento é a mesma por séculos. É ensinada hoje, como se ensinava séculos atrás e: as pedras na estrada são mesmas ao longo do tempo, mesmo que sejam experimentadas de maneira diferente para cada pessoa.
O pensamento por trás desse livro, e aquela piadinha de Gestão (que diz que devemos lembrar os gerentes de projetos que 09 mães não concebem um filho em um mês) é o cerne da minha questão com tanto cuidado com a geração Y – e muitas das outras questões “da modernidade” – crescimento e desenvolvimento como pessoa não acelera simplesmente “porque essa geração é mais impaciente”. Você não vai ter o mesmo aproveitamento de um “Dom Quixote” num resumo de 15 páginas simplesmente porque “essa geração não gosta de ler”. Há um limite de atalhos, facilitações etc., numa vida que pretende ser “real”. Na vida não dá pra ficar fazendo “releitura” de Romeu e Julieta com final feliz, só porque essa geração é alto astral.
Se você tem a sorte de não estar muito por dentro do que é a “Geração Y” (que já está ficando para trás), esse vídeo ajuda:
* Se você não entendeu a referência ao Google, precisa assistir “Google Fábrica de Ideias“, que mostra um pouco do ambiente de trabalho, como funcionam as contrações e a administração geral do Google. Algumas pessoas acham lindo! Eu faço parte daquelas que, se você me trancasse naquele ambiente por 15 minutos, eu procuraria uma janela de banheiro para fugir do local, atacando seguranças se fosse preciso. Se você for muito nerd, eu posso facilitar a comparação dizendo que eu sou um individuo e não tenho planos de ser assimilada pela coletividade Borg… mas cada um, cada um.

