Trabalhar por amor, amor ao trabalho e contas no final do mês – você sabe ao certo o que faz você levantar todas as manhãs?
Vamos pensar um pouco. No mínimo oito horas por dia, 05 dias por semana, 40 horas por semana – se você tiver sorte. Nesses mesmos 05 dias você, muito provavelmente, dorme algo entre 06 e 07 horas… 07 horas? Vamos ser otimistas! 07 horas por dia, 05 dias por semana, 35 horas por mês: é isso! Você trabalha no mínimo 40 horas por semana, e dorme, no mesmo período, no máximo 35 horas.
Não vamos entrar em contas mais deprimentes. Não vamos comparar o tempo que você não aproveita com a família, o tempo que você não dedica a manutenção da sua saúde ou de uma alimentação saudável. Não vamos nem contar aqueles planos de inicio de ano que você não colocou pra andar pela falta dessa matéria inestimável – o tempo. Se ainda existisse uma oferta do tipo “realize seus sonhos dormindo” você poderia até tornar as coisas mais produtivas… É claro que não tão produtivas quanto o trabalho – afinal, de acordo com as contas, você pode notar: você tem a sua disposição mais trabalho do que sono.
Por que trabalhamos afinal? A resposta mais óbvia diz respeito a nossa subexistência. Trabalhamos para existir: pra comer, pra vestir, pra pagar seguro saúde e pegar ônibus lotado, ou trânsito, ou comprar uma bicicleta e reclamar da intransigência dos motoristas. Mas isso não é tudo… Se isso fosse tudo, teríamos muito mais políticos corruptos, traficantes e vendedores da Herbalife do que já temos. Trabalho também tem um equilibrio entre “quero” e “posso”. Muita gente quer ser um Ronaldinho, poucos podem.
Isso significa que trabalho é resultado único e exclusivo de competência? Se você levantou a mão para dizer que sim, já lhe digo: pare de ler esse texto, e vá trabalhar, que aparentemente você não tem muita experiência prática no assunto. Pequenas pessoas, pequenos poderes, pequenas tarefas sem sentido e gente que tem tanta vontade de ir pra frente quanto uma mula manca são partes intrínsecas do pacote.
No final das contas, o trabalho acaba sendo estruturado ao redor do seguinte tripé:

Talvez um tripé não seja a melhor analogia. Um tripé sugere que deve haver um equilibrio para manter o que quer que esteja sobre ele. Aqui não é o caso. Talvez um bom equilibrio entre esses três fatores seja capaz de lhe manter numa posição satisfatória mas… Minha questão com relação ao trabalho nunca se resume ou resumirá a satisfação. Satisfação é para os fracos. Eu falo de excelência extraordinária, propósito, significado para uma vida que se extingue tão brevemente quanto se nota. Eu falo em fazer diferença de maneira significativa dentro dos seus critérios, do porque você realmente sai da cama quentinha, dos braços amados, das diversões queridas quando seria muito mais rentável fazer muitas outras coisas além das que você faz hoje… Satisfação é o “Why can’t we be friends?” do mundo moderno classe média que imagina que tudo está ok, existe muito pouco a se avançar e assim as coisas estão legais, e vamos levando. O “quentinho”, o legal, divertido e dentro dos padrões do que pode ser executado é a morte dolorosa da alma – pelo menos da minha alma.
Eu não sei o que nos faz trabalhar. Não tenho a resposta, apenas a questão. Não acredito que seja só o dinheiro. Acredito que o dinheiro é a desculpa social pra muita M* que aguentaríamos sim, mesmo sem ele. Alguns gostam de criar seus infernos na terra, e pra alguns o inferno na terra é o próprio paraíso. O que eu gostaria de poder responder é como nos mantemos acima de toda as forças que nos desmotivam, desvalorizam e nos dão vontade de vender coco na praia e abrir mão de tudo… Quem tiver insights, agradeço.


