sábado, 6 de janeiro de 2018

Vamos dizer Adeus pro excesso de tudo aquilo que não queremos

Novidades… Estou com deficiência de novidades, se é que é possível — meus problemas, minhas questões, minhas preocupações são as mesmas há tanto tempo que eu não consigo deixar de sentir um “peso”… Como diria o “Biquini Cavadão” (sim, eu sou velha, rs): “Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça”.

Biquini Cavadão - Impossível
https://youtu.be/ny1mfGBSZCc


Mas para descobrir novas terras, é preciso adotar algum tipo de orientação — especialmente quando você não faz idéia de para onde ir… A minha orientação, como de antigos navegadores, são as “Três Marias”, rs — a primeira delas: Marie Kondo.

Faça uma busca rápida por Marie Kondo, e resultados não vão faltar. Algumas pessoas são fãs de carteirinha (categoria na qual eu me encaixo), outras odeiam firmemente. No entanto, ainda estou pra encontrar uma crítica negativa a sua proposta de manter apenas aquilo que "lhe traz alegria", que realmente tenha pego a essência da coisa. Não porque essas pessoas sejam "intelectualmente incompetentes", mas porque a mensagem dela não toca tão fundo, como toca para pessoas como eu -- ou seja, são pessoas que nasceram naturalmente organizadas, capazes de nunca acumular tranqueira e que realmente não entendem como isso não é a regra e a lei natural para todos os demais mortais.

Li "The Life-Changing Magic of Tidying Up" aínda em ebook, em inglês, no kindle, muito antes da hype do método KonMari (como ficou conhecido seu método de organização) tomar conta de blogs, vlogs e timelines de Facebook... Fiquei tão apaixonada, que quando a Sextante publicou o livro em português (A Mágica da Arrumação), comprei de novo pra poder ler, grifar, anotar -- coisas que eu só faço com os livros que eu tenho absoluta certeza que sempre serão meus, que não vou vender, doar ou emprestar.

Mas sabe por que eu sou tão apaixonada por essa mulher? Não é porque eu tenha virado a rainha do minimalismo — além de estar anos luz longe disso, essa nem é a proposta do KonMari, algo que muita gente confunde — mas porque ela me ofereceu um framework para lidar com o meu problema com tralhas... Tralhas físicas, emocionais, digitais, de todo tipo.

O "Isso me traz alegria?", pergunta que segundo o método você deve fazer enquanto segura em mãos cada um dos itens que está decidindo se mantém ou descarta, é uma pergunta que serve de orientação geral tanto pra descarte de calcinha bege manchada (situação quase que completamente hipotética — eu jamais teria uma calcinha bege), a compromissos, relacionamentos, atitudes etc.

Marie Kondo não transformou minha casa em capa de Casa Cláudia (ela é Personal Organizer, não é mágica), mas ela já foi responsável por muitos "deixa pra lá!" na minha vida — sem contar em uma ótima assistente em situações em que acumuladores compulsivos como eu tem mania de escolher quantidade ao invés de qualidade. Outro dia vi uma crítica meio simplista num vídeo, em que a mulher falava “Ah, meus utensílios de limpeza não me trazem alegria… Então eu deveria jogar fora?” — aí depois de revirar os olhos 3 vezes, fiquei com uma vontade inútil de explicar pra moça que não é assim… Todo mundo precisa de uma escova de banheiro… Mas há uma diferença significativa entre esses dois:



Colabore incluindo mentalmente nesse segundo algum desgaste e sujeira, porque eu não colocaria uma escova suja e nojenta nesse blog.

Não é uma questão financeira — não é uma questão de ter sempre os ítens mais caros e de luxo. É admitir que na nossa vida, quer desejamos ou não, existem limites, restrições: seu guarda-roupa é o limite da quantidade de roupas que você pode ter (se você, como eu , não quiser ter uma poltrona de leitura que não se senta há meses, coberta de roupas); suas 24 horas no dia são o limite de quantas atividades e compromissos você pode assumir. O método KonMari não prega o minimalismo… Sua ideia não é que você se livre de tudo e more em uma casa vazia: mas que você considere que cada coisa precisa ter o seu lugar, o seu lar, dentro da sua casa. Então ao invés de oferecer estratégias para que você faça caber mais em menos espaço, ou faça mais atividades mais rápido no tempo que tem ele lhe lembra: mantenha apenas aquilo que lhe traz alegria, que faça sentido para você.

Meu exemplo pessoal são meus “livros de cabeceira”. O Bom Senso S.A. (Sociedade Anônima que palpita em tudo que deveríamos fazer e como) diz que “livros de cabeceira” é algo de número maior que 2 (para permitir o plural) e menor que 04, 05 que você mantém na cabeceira para leitura… Mas os meus livros de cabeceira estão atualmente algo assim:


Os livros deitados são aqueles que fazem parte da lista TBR (To Be Read) de Janeiro… Os demais estão na fila sem data marcada. Eu gosto de vê-los assim — isso me traz alegria; diferente das pilhas encostadas nas estantes que eu vejo quando vou pra sala. Faz ver que eu tenho muito o que ler, e muita leitura interessante para esperar também. Tem bastante coisa? Certamente… Mas cada uma delas está em seu lugar, e me deixa feliz como está.

Aí eu me lembro que é Janeiro, que o resto da casa poderia ser assim também… Eu só preciso me tornar mais forte e comprometida em me livrar de tudo aquilo que está aqui porque eu comprei, porque gastei dinheiro e agora me sinto uma idiota de me livrar, mas que absolutamente não faz sentido para a pessoa que eu quero ser.

Conto com o KonMari para isso… Vamos ver.

Livros da Marie Kondo:


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Definindo Intenções

Estou com dificuldades de definir intenções para 2018. O final do ano de 2017 foi complicado, com uma sensação de sobrecarga com a qual eu não consegui lidar... E não consegui deixar de carregar essa sensação para 2018... Começando tudo num amontoado de afazeres e coisas por fazer. Nesse ritmo é difícil abraçar a ideia de "Ano Novo, Vida Nova".

Sinto uma certa reticência em estabelecer resoluções -- enquanto eu não fizer isso, posso sentir que vivo num limbo de possibilidades, onde tudo pode ser escolhido, tudo pode ser feito. Depois de fechado o pacote, passo para uma conhecida e nada glamourosa fase em que é fundamental fazer atividades regulares, pequenas, que ás vezes não dão a mínima sensação de que estão acrescentando nada à vida -- e que no final de tudo são mesmo fundamentais.

Como eu bem defini para uma amiga durante 2017:
"Eu me apaixono pela colheita, mas não pelo arado..."
E nessas o tempo passa -- assustadoramente mais rápido do que eu consigo tomar consciência -- e quando eu vejo o ano já foi. Eu sei que existem 05 "linhas de prioridades" de vida na qual as minhas ambições e resoluções atuais tendem a se assentar:

Mais do que grandes "conquistas", para cada área eu me daria por contente em estabelecer uma série de hábitos e rotinas que conseguissem fazer com que eu saísse dessa sensação de caos constante. Não é charmoso, não é glamouroso... Mas eu realmente me daria por muito contente em resolver o arroz com feijão básico da existência.

Como dizem por aí: "Adulting is hard!".