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GRANDILOSA
Postado por Prix Dekanun in BLÁ, BLÁ, BLÁ, CINEMA on May 19th, 2010
Sabe… Eu nunca gostei muito de Alice no País das Maravilhas… Para ser sincera mesmo, eu nunca gostei de nada em Alice no País das Maravilhas: nem do livro, nem do filme da sessão da tarde, nem do desenho da Disney (ainda mais do desenho da Disney). Toda a minha consideração por essa história se resumia pelas citações na Trilogia Matrix (seguir o coelho branco pela toca do coelho) e pelas histórias da coleção Animatrix (citando a rainha vermelha, e blá, blá, blá).
Por conta disso, não é de surpreender que eu tivesse ficado com um entusiasmo abaixo de zero quando soube que o Tim Burton estava trabalhando em uma versão live action da história. Soma-se nesse caso o fato de que eu amo o Tim Burton – mas estou longe de considerá-lo infalível. Assisti o remake de Planeta dos Macacos e me decepcionei profundamente com Noiva Cadáver, além de toda uma coleção de sentimentos ambíguos em relação ao remake de “Fantástica Fábrica de Chocolate” – ou seja, como você pode ver, tenho sérias preocupações com o Tim Burton fazedor de remakes.
Apesar de tudo isso, eu precisava corrigir um desvio terrível: eu, cinéfila de carteirinha – que pra dizer a verdade está quase a ponto de ser cancelada – jamais havia ido no IMAX assistir um filme 3D. Três andares de tela, 21 metros de largura… E até Alice eu não tinha nem me dado ao trabalho de visitar o cinema. Então, para o filme que eu menos tinha expectativas de ver, o filme mais apedrejado que final de LOST no Twitter, eu decidi me deslocar pra lá…
E olha que nem de longe eu me decepcionei como a maioria.
Claro que o fato de eu não ter paixão pela história original ajudou. Claro que a clássica moral da história Disney do Tim Burton decepcionou muita gente (não é de hoje que eu digo que o Tim Burton é o diretor com mais paixão por final feliz que existe, por mais que a embalagem deles seja bizarra). Mas o fato é… Eu precisava da lição de moral barata do filme, mais do que eu precisava da lição de moral do original.
A Alice dessa versão é uma garota próxima dos seus 19 anos, que está sendo consumida pelo mundo – em suas obrigações e no que se espera dela. Como todas as crianças, ela pode ter sido um modelo de pensamento livre e criativo – mas ela não é mais criança… Então como conciliar pensamento livre, imaginação e toda uma porção de coisas com a vida que começa a exigir posturas determinadas, ações determinadas etc.
E eu vejo isso na minha vida, e na vida de muita gente ao redor. Gente que, como eu, está chegando na casa dos 30 anos, usa camisetas de HQ, compra itens descolados, se veste bem cult mas… Tudo o que ainda tem daquela força infantil de acreditar em possibilidades, ter sonhos, investir e se dedicar no futuro resume-se a essa embalagem atualmente vendida como o uniforme do “jovem rebelador do sistema”.
Posso estar indo longe, extrapolando o conceito – tenho quase 100% de certeza que estou – mas foi por aí que o filme me pegou.
Estava pensando nisso quanto me debatia mentalmente ontem como modo de ensino de diversos cursos que estou matriculada no momento. Estava me batendo com o fato de alguns serem mal estruturados, outros não oferecerem o que eu esperava, outros estarem distantes do que eu precisava etc. E de repente percebi uma coisa… Quando foi que eu me tornei “aquela garota”, a aluna que sempre tem os livros corretos, os materiais adequados, o conhecimento prévio desejado mas… o resultado medíocre? Igual aqueles estudantes de Gastronomia que tem chapéu de chefe, facas caríssimas e mal sabem cortar uma cebola?
Desde que eu comecei a ter meios para isso – coincidentemente a partir dos meus 19 anos – eu tenho gasto boa parte do meu tempo, do meu dinheiro e da minha dedicação em corrigir os 19 anos em que eu sempre estava presente nas situações sem o preparo adequado – e acabei me tornando o que eu mais odiava: aquelas pessoas com ótimas possibilidades, mas que não faziam nada de valor com elas. Lembrei de fatos corriqueiros do pré até a faculdade que reforçavam isso…
Quando foi que eu comecei a achar que alguém saberia mesmo algo melhor do que eu? Não é uma afirmação presunçosa embora pareça. Eu sempre corri atrás do que eu queria, da forma que eu julgava mais ideal… E em um ponto eu parei, crente que era a hora de fazer as coisas da maneira “correta”, da maneira que todo mundo faz… Ou da maneira que todo mundo julga ser correta – e acredite, isso não trás felicidade.
Se existe algo que me trás felicidade – e acredite, existem montes dessas coisas, ainda bem – foram todas coisas que começaram da maneira “errada”, pelo menos errada como você ou qualquer outra pessoa acreditaria que deveriam ter acontecido. As coisas lógicas, bem pensadas e sensatas no entanto… Sem comentários.
Sinto o mesmo quando comparo as “análises sociais deterministas” do meu sócio, com as idéias de desenvolvimento pessoal do meu antigo chefe. Conceitualmente, meu sócio parece estar certo e meu ex-chefe tremendamente viajante mas… O fato é que todo desenvolvimento na minha vida jamais teria acontecido se eu tivesse seguido essa lógica social determinista. Enxergar as paredes – ou os limites – nunca é a maneira mais proveitosa de ultrapassá-las.
Eu não sou mais GRANDILOSA como costumava ser… Vamos ver se descubro como consertar isso.
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Extras: o cinema IMAX agradou pra Karaio! Tanto que namorado não considera outra possibilidade para assistir Fúria de Titãs.
A MULHER INVISÍVEL
Postado por Prix Dekanun in CINEMA on July 11th, 2009
E não é que aconteceu? Eventualmente tinha que acontecer… Eu, eu mesma, euzinha da silva me dirigindo ao cinema numa sexta-feira a noite, pagando a meia mais cara da semana, com uma taxa de inconveniência especial do Ingresso.com para assistir filme nacional. E gostando…
Esse filme tem recebido a tristeza de muitas “02 estrelinhas” por aí que eu realmente não entendo. Quer dizer, entendo a parte de que não é um marco revolucionário na história do cinema nacional – pelo menos não no que se refere a linguagem… Mas no que se refere a trama:
Uma comédia romântica (01 ponto), com gente de uma classe média com a qual a classe média que vai ao cinema pode se identificar (+ 01 ponto), que tem empregos e trabalham (+ 01 ponto) em uma história que não quer vender carnaval (+ 01 ponto), favelas (+ 01 ponto) e com mulheres peladas justificadas (+ 01 ponto), com um fotografia linda e ótima trilha sonora… perfeito!
Isso sem falar que Selton Mello é sempre Selton Mello, e todo o elenco de apoio é ótimo. Se eu fosse realmente criticar, a única coisa que me incomodou um pouco é não saber o quanto a participação da Warner influenciou nesse filme. A execução dele é tão perfeita em tudo, que fica aquela sensação de ter seguido um guideline de comédias românticas, com história certinha, bem estruturada, trilha entrando na hora perfeita, e piadas corretas…
Nada de muito triste se o que você quer é um pouco de diversão honesta pelo preço do seu ingresso.
… SEM COMENTÁRIOS…
Postado por Prix Dekanun in BLÁ, BLÁ, BLÁ, CINEMA on June 1st, 2009
Apenas hoje que percebi que eu ainda não comentei nada sobre “Wolverine” ou “Star Trek“.
E olha que eu achei, na saída da sala de Wolverine, que não havia filme com possibilidade maior de texto cômico – pq aquilo é um amontoado de clichês audiovisuais do começo ao fim, digno de novela mexicana (desculpe o spoiler, mas em que outro lugar além de uma novela mexicana o protagonista começa com uma revelação abrupta de quem é seu verdadeiro pai, e termina com amnésia?).
Mas desde então eu fui deixando a coisa esfriar, e acabei quase que sem comentários a respeito… Sabe aquela sensação de “você vai gastar mesmo tempo de sua vida pra falar o óbvio: que esse filme é muito ruim?”
Perdi a vontade, sabe?
Já com Star Trek, a sensação é oposta. Sai do cinema pensando “que legal”, e essa opinião vem se degradando exponencialmente desde então. Uma coceirinha que eu tinha de “algo não está certo” foi definitivamente deflagrada após a leitura da crítica do New York Times – como um filme de Star Trek, essa versão é uma ótima versão de Star Wars.
Os personagens estão lá, é verdade? Mas cadê a crítica social do momento, permanente e indivisível que é a característica máxima de Star Trek? Mesmo na série original, com o “Capitão Kirk, o galinha do espaço” como delicamente apelidado por minhas irmãs e eu, havia muita ousadia: um russo, um oriental e uma negra como personagens principais em plena década de 1960, é algo considerável.
Na versão de JJ Abrans, não há o que refletir; não há paralelos a serem feitos, e não contribui em nada. Pra mim que não sofro de “babação atômica” por Lost, nada de novo! E em tempo: eu acho LOST bom, só não fico esperando um grande desfecho planejado para o final, simplesmente pq acho que nem JJ Abrans pensou muito a respeito disso… Na hora ele vai ver algo legal… Mas esse não é o tipo de promessa que me seduza muito.
E em Star Trek, isso me irritou um pouco. Ok, o cara tirou o coelho da cartola mas… Quem já não viu um coelho sair da cartola?
A ONDA – Die Welle
Postado por Prix Dekanun in BLÁ, BLÁ, BLÁ, CINEMA on April 26th, 2009
Remake alemão revitaliza obra fundamental para compreender a proliferação do nazismo entre pessoas como eu e você.
No episódio final de Arquivo X, existe uma frase de Fox Mulder que sempre ficou na minha cabeça, embora eu só tenha visto o episódio uma única vez:
“O diabo é só um cara com um plano, mas o mal nasce com a colaboração dos homens”.
Perdão se a citação não estiver exata e a memória tiver falhado. Em todo caso, a essência está aí.
Nas minhas lembranças, a versão original de “A Onda” está, juntamente com “A Ilha das Flores“, entre as obras apresentadas por professores no segundo grau que valeram todo o curso – sem exageros.
Desde então estou procurando sem sucesso uma cópia desse filme americano de 1981, feito para a TV – e aparentemente por aqui também só exibido na TV – ao que indicava a gravação do professor, ainda restrito a programação da madrugada da Globo, quando ainda havia espaço para diferentes formatos por lá. O mais próximo que consegui chegar, foi a essa versão digitalizada no final do texto, diretamente do You Tube – publicada por um usuário que tomou como meta pessoal expor a Cientologia como seita perigosa.
A história do antigo filme gira em torno de um professor de história (Bruce Davison, o Senador Kelly de X-men e X-men 2) que confrontado pelo questionamento dos alunos sobre como o povo alemão permitiu a ocorrência do nazismo, decide mostrar que não houve nada de inacreditável na conduta do povo alemão. Para isso, ele começa a aplicar nos alunos algumas técnicas de condicionamento facista, que desapercebidamente eles abraçam com todo fervor – num crescente de envolvimento que inclui até o professor, admirado com o poder recém adquirido e a violência com que os alunos começam a tratar os dissidentes.
Duas questões sempre estiveram envolvidas para mim na paixão por esse filme: a história da turma do meio, e nosso desespero assumido/negado, mas sempre existente de fazer parte.
A história da turma do meio é a história da massa aparentemente inocente. É a massa que normalmente não vira história, mas por sua passividade torna a história possível. Em filmes com a temática escolar por exemplo, você sempre tem o popular/provocador contra o impopular/vítima – e sempre esquece que essas figuras só são possíveis por conta da imensa massa que se não ajuda a provocar esse tipo de conduta, com certeza não faz nada para evitar a provocação – o filme ajuda a refletir o quanto “não se meter” ou pensar “não é comigo” ajuda normalmente o lado errado.
“Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”
(Fragmento de: “No caminho, com Maiakóvski – Eduardo Alves da Costa).
A outra observação perversa é constatar o quanto a incapacidade de interagir no mundo de forma independente, de aceitar a própria individualidade, nos torna sucetíveis a abraçar cegamente estruturas normatizadas maiores que nós, permitindo que um conjunto de regras muitas vezes questionáveis nos alivie de questionamentos existenciais básicos que provocam mais desconforto que respostas. Tudo por conta de se sentir fazendo parte de algo, acabar com a sensação de estarmos só. Aqui, é claro, aplicado ao nazismo; mas podemos extrapolar para posicionamentos ideológicos fechados, religiosos, políticos etc.
Ainda não assisti a versão alemã de 2008 – segundo a Superinteressante, o filme chega aos cinemas por aqui em 29/05. Mas nem preciso dizer depois de tudo isso que, por se tratar de um remake alemão sobre o tema, e por todo meu apego sentimental em relação ao original, estou ansiosa para ver o filme.
P.S.: Ordens são ordens? A história acusa Hitler pelo Holocausto, e os EUA pelas bombas atômicas no Japão – mas sozinhos eles não teriam feito nada. Sempre me pergunto como dormiam a noite as pessoas que acionaram as câmaras com gás, ou soltaram as bombas. O que passa pela cabeça de uma pessoa para receber uma ordem dessas e aceitar como “é uma ordem” ao invés de responder “Você é idiota? Está pensando o que?”. Nada, especialmente o mal, é uma obra individual.
Mais informações:
Link para a página do filme original.
Link para a página do filme atual.
A onda – Parte 01.
A onda – Parte 02.
É UM PASSÁRO, É UM AVIÃO? NÃO, É O GLADIADOR DE SHERWOOD!
Postado por Prix Dekanun in BLÁ, BLÁ, BLÁ, CINEMA on April 26th, 2009

Algumas figuras míticas, históricas e religiosas carregam junto com elas um ideal de como seriam fisicamente, a despeito das características do povo a que pertenciam e seu tempo – uma leve distorção que qualquer cristão e/ou historiador está acostumado a lidar.
No caso de Robin Hood, a culpa pode ser creditada a Errol Flynn, Kevin Costner, Cary Elwes etc… Em todas as mais de 100 representações que o herói recebeu no cinema, na TV, em peças de teatro e até em filmes adultos, é difícil descolar Robin Hood de um look “Peter Pan“.
Mas alguns looks são ainda mais difíceis de descolar. Se eu não tivesse visto essa foto no blog da Ana Maria Bahiana, e depois no IMDB, juraria que era alguma montagem com imagens do Gladiador.
Nenhuma dúvida na capacidade de Russell Crowe, ou na parceria Crowe/Ridley Scott em encontrar algo novo em um mundo tão revisitado. Ainda acredito que faça parte de uma tentativa de tirar a imagem estereotipada de Robin Hood da cabeça do público, como já é feito há três temporadas na série britânica “Robin Hood“.
Mas não custa esperar que essas novas tentativas de tirar mais água do mesmo poço se refletissem em uma real transformação. Pode ser até que esse seja um novo look para o personagem. Mas para o ator em questão, é pegar a esteira do próprio sucesso – merecido, mas tão pouco original.
P.S.: Ele está usando Jeans em pleno século XIII???











