Arquivos para a categoria CINEMA

A MULHER INVISÍVEL

Poster do Filme

Poster do Filme

E não é que aconteceu? Eventualmente tinha que acontecer… Eu, eu mesma, euzinha da silva me dirigindo ao cinema numa sexta-feira a noite, pagando a meia mais cara da semana, com uma taxa de inconveniência especial do Ingresso.com para assistir filme nacional. E gostando…

Esse filme tem recebido a tristeza de muitas “02 estrelinhas” por aí que eu realmente não entendo. Quer dizer, entendo a parte de que não é um marco revolucionário na história do cinema nacional – pelo menos não no que se refere a linguagem… Mas no que se refere a trama:

Uma comédia romântica (01 ponto), com gente de uma classe média com a qual a classe média que vai ao cinema pode se identificar (+ 01 ponto), que tem empregos e trabalham (+ 01 ponto) em uma história que não quer vender carnaval (+ 01 ponto), favelas (+ 01 ponto) e com mulheres peladas justificadas (+ 01 ponto), com um fotografia linda e ótima trilha sonora… perfeito!

Isso sem falar que Selton Mello é sempre Selton Mello, e todo o elenco de apoio é ótimo. Se eu fosse realmente criticar, a única coisa que me incomodou um pouco é não saber o quanto a participação da Warner influenciou nesse filme. A execução dele é tão perfeita em tudo, que fica aquela sensação de ter seguido um guideline de comédias românticas, com história certinha, bem estruturada, trilha entrando na hora perfeita, e piadas corretas…

Nada de muito triste se o que você quer é um pouco de diversão honesta pelo preço do seu ingresso.

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… SEM COMENTÁRIOS…

Wolverine

by Dunechaser

Apenas hoje que percebi que eu ainda não comentei nada sobre “Wolverine” ou “Star Trek“.

E olha que eu achei, na saída da sala de Wolverine, que não havia filme com possibilidade maior de texto cômico – pq aquilo é um amontoado de clichês audiovisuais do começo ao fim, digno de novela mexicana (desculpe o spoiler, mas em que outro lugar além de uma novela mexicana o protagonista começa com uma revelação abrupta de quem é seu verdadeiro pai, e termina com amnésia?).

Mas desde então eu fui deixando a coisa esfriar, e acabei quase que sem comentários a respeito… Sabe aquela sensação de “você vai gastar mesmo tempo de sua vida pra falar o óbvio: que esse filme é muito ruim?

Perdi a vontade, sabe?

Já com Star Trek, a sensação é oposta. Sai do cinema pensando “que legal”, e essa opinião vem se degradando exponencialmente desde então. Uma coceirinha que eu tinha de “algo não está certo” foi definitivamente deflagrada após a leitura da crítica do New York Times – como um filme de Star Trek, essa versão é uma ótima versão de Star Wars.

Os personagens estão lá, é verdade? Mas cadê a crítica social do momento, permanente e indivisível que é a característica máxima de Star Trek? Mesmo na série original, com o “Capitão Kirk, o galinha do espaço” como delicamente apelidado por minhas irmãs e eu, havia muita ousadia: um russo, um oriental e uma negra como personagens principais em plena década de 1960, é algo considerável.

Na versão de JJ Abrans, não há o que refletir; não há paralelos a serem feitos, e não contribui em nada. Pra mim que não sofro de “babação atômica” por Lost, nada de novo! E em tempo: eu acho LOST bom, só não fico esperando um grande desfecho planejado para o final, simplesmente pq acho que nem JJ Abrans pensou muito a respeito disso… Na hora ele vai ver algo legal… Mas esse não é o tipo de promessa que me seduza muito.

E em Star Trek, isso me irritou um pouco. Ok, o cara tirou o coelho da cartola mas… Quem já não viu um coelho sair da cartola?

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A ONDA – Die Welle

Remake alemão revitaliza obra fundamental para compreender a proliferação do nazismo entre pessoas como eu e você.

No episódio final de Arquivo X, existe uma frase de Fox Mulder que sempre ficou na minha cabeça, embora eu só tenha visto o episódio uma única vez:

“O diabo é só um cara com um plano, mas o mal nasce com a colaboração dos homens”.

Perdão se a citação não estiver exata e a memória tiver falhado. Em todo caso, a essência está aí.

Nas minhas lembranças, a versão original de “A Onda” está, juntamente com “A Ilha das Flores“, entre as obras apresentadas por professores no segundo grau que valeram todo o curso – sem exageros.

Desde então estou procurando sem sucesso uma cópia desse filme americano de 1981, feito para a TV – e aparentemente por aqui também só exibido na TV – ao que indicava a gravação do professor, ainda restrito a programação da madrugada da Globo, quando ainda havia espaço para diferentes formatos por lá. O mais próximo que consegui chegar, foi a essa versão digitalizada no final do texto, diretamente do You Tube – publicada por um usuário que tomou como meta pessoal expor a Cientologia como seita perigosa.

A história do antigo filme gira em torno de um professor de história (Bruce Davison, o Senador Kelly de X-men e X-men 2) que confrontado pelo questionamento dos alunos sobre como o povo alemão permitiu a ocorrência do nazismo, decide mostrar que não houve nada de inacreditável na conduta do povo alemão. Para isso, ele começa a aplicar nos alunos algumas técnicas de condicionamento facista, que desapercebidamente eles abraçam com todo fervor – num crescente de envolvimento que inclui até o professor, admirado com o poder recém adquirido e a violência com que os alunos começam a tratar os dissidentes.

Duas questões sempre estiveram envolvidas para mim na paixão por esse filme: a história da turma do meio, e nosso desespero assumido/negado, mas sempre existente de fazer parte.

A história da turma do meio é a história da massa aparentemente inocente. É a massa que normalmente não vira história, mas por sua passividade torna a história possível. Em filmes com a temática escolar por exemplo, você sempre tem o popular/provocador contra o impopular/vítima – e sempre esquece que essas figuras só são possíveis por conta da imensa massa que se não ajuda a provocar esse tipo de conduta, com certeza não faz nada para evitar a provocação – o filme ajuda a refletir o quanto “não se meter” ou pensar “não é comigo” ajuda normalmente o lado errado.

“Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”
(Fragmento de: “No caminho, com Maiakóvski – Eduardo Alves da Costa).

A outra observação perversa é constatar o quanto a incapacidade de interagir no mundo de forma independente, de aceitar a própria individualidade, nos torna sucetíveis a abraçar cegamente estruturas normatizadas maiores que nós, permitindo que um conjunto de regras muitas vezes questionáveis nos alivie de questionamentos existenciais básicos que provocam mais desconforto que respostas. Tudo por conta de se sentir fazendo parte de algo, acabar com a sensação de estarmos só. Aqui, é claro, aplicado ao nazismo; mas podemos extrapolar para posicionamentos ideológicos fechados, religiosos, políticos etc.

Ainda não assisti a versão alemã de 2008 – segundo a Superinteressante, o filme chega aos cinemas por aqui em 29/05. Mas nem preciso dizer depois de tudo isso que, por se tratar de um remake alemão sobre o tema, e por todo meu apego sentimental em relação ao original, estou ansiosa para ver o filme.

P.S.: Ordens são ordens? A história acusa Hitler pelo Holocausto, e os EUA pelas bombas atômicas no Japão – mas sozinhos eles não teriam feito nada. Sempre me pergunto como dormiam a noite as pessoas que acionaram as câmaras com gás, ou soltaram as bombas. O que passa pela cabeça de uma pessoa para receber uma ordem dessas e aceitar como “é uma ordem” ao invés de responder “Você é idiota? Está pensando o que?”. Nada, especialmente o mal, é uma obra individual.


Mais informações:

Link
para a página do filme original.
Link
para a página do filme atual.

A onda – Parte 01.

A onda – Parte 02.

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É UM PASSÁRO, É UM AVIÃO? NÃO, É O GLADIADOR DE SHERWOOD!

Algumas figuras míticas, históricas e religiosas carregam junto com elas um ideal de como seriam fisicamente, a despeito das características do povo a que pertenciam e seu tempo – uma leve distorção que qualquer cristão e/ou historiador está acostumado a lidar.

No caso de Robin Hood, a culpa pode ser creditada a Errol Flynn, Kevin Costner, Cary Elwes etc… Em todas as mais de 100 representações que o herói recebeu no cinema, na TV, em peças de teatro e até em filmes adultos, é difícil descolar Robin Hood de um lookPeter Pan“.

Mas alguns looks são ainda mais difíceis de descolar. Se eu não tivesse visto essa foto no blog da Ana Maria Bahiana, e depois no IMDB, juraria que era alguma montagem com imagens do Gladiador.

Nenhuma dúvida na capacidade de Russell Crowe, ou na parceria Crowe/Ridley Scott em encontrar algo novo em um mundo tão revisitado. Ainda acredito que faça parte de uma tentativa de tirar a imagem estereotipada de Robin Hood da cabeça do público, como já é feito há três temporadas na série britânica “Robin Hood“.

Mas não custa esperar que essas novas tentativas de tirar mais água do mesmo poço se refletissem em uma real transformação. Pode ser até que esse seja um novo look para o personagem. Mas para o ator em questão, é pegar a esteira do próprio sucesso – merecido, mas tão pouco original.

P.S.: Ele está usando Jeans em pleno século XIII???

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MONSTROS VS. ALIENÍGENAS.

“Nova possibilidade mercadológica”. “Nova fronteira do cinema”. “Nova chance para um mercado em contração”. Depois de algumas aulas sobre crítica de arte na pós, especialmente cinema, não faltam termos que possam ser ligados ao que significa o cinema 3D para a indústria cinematográfica hoje em dia.

Ainda olho para o tema meio desconfiada. Acrescente ao 3D cheiros e sensações, e você terá o “Cinema Sensível” de “Admirável Mundo Novo“. Junte a mega tela que nos cerca no Imax, e temos a sala “da família” de “Fahrenheit 451“. Mas estou avançando demais… Ainda não dá para levantar esse tipo de discussão com o cinema 3D que se apresenta. Ainda estamos na fase do exercício de ver “olha, isso salta mesmo da tela, não é legal?” do que em ver uma modificação da linguagem cinematográfica pensando já na experiência de uma sessão 3D – que me corrija quem já viu “O Dia dos Namorados Macabro“.

A discussão ainda está no nível dos proprietários de salas de cinema, e quanto do maquinário eles conseguirão atualizar e quanto eles conseguirão cobrar pela experiência 3D.

Monstros vs. Alienígenas foi a minha segunda experiência com esse tipo de cinema depois do surgimento das salas 3D, seguindo Coraline. Antes disso, fora do Hopi Hari, eu só hávia tido uma péssima experiência com “Pequenos Espiões 3D” e seus óculos vermelhos e azuis que mais tornavam a imagem psicodélica do que tridimensional.

Coraline foi um ótimo desenho infantil de terror (como os contos de fadas da Disney infelizmente deixaram de ser há muito tempo), com uma tímida incursão com alguns elementos 3D. Já “Monstros” foi uma empreitada um pouco melhor – mas ainda tímida – nas possibilidades do 3D, que infelizmente esqueceu a outra parte… Esse negócio superficial sabe, chamado… Roteiro. Nada que fãs da Dreamworks Animation possam notar no entanto… Digno de filmes como Shrek, Kung Fu Panda, Madagascar etc. Somente não é um filme da Pixar

O que eu acho mais interessante é que o posicionamento da Dreamworks é fazer filmes infantis, exclusivos para crianças. Ela não se preocupa em oferecer leituras mais profundas para outras idades, são as crianças que tem que gostar – os pais e acompanhantes no máximo simpatizar e suportar. Até aí, ótimo: posicionamento é posicionamento. Eu só gostaria de entender porque em qualquer filme da Pixar, as crianças ficam silenciosas até o fim, mandando calar a boca de quem fala em momentos inapropriados, e em filmes da Dreamworks elas dispersam, saem mais cedo e são incapazes de prestar atenção depois da metade do desenho… Suspeito que a Dreamworks faz mesmo filmes para crianças, mas não para aquelas que vão ao cinema.

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