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Ler para quê?

Hoje eu li esse post no blog LifeHack e fiquei admirada de alguém ter realmente conseguido realizar a meta que eu já tentei me colocar - sem sucesso - algumas vezes: ler 52 livros em um ano (ou um livro por semana se você preferir). Como você pode estar lembrado, logo no começo do ano eu coloquei uma meta singela de 24 livros para o ano (12 técnicos, ligados ao TCC e 12 de literatura, essencialmente para distração). No entanto, até o momento eu não li nenhum... Nenhum dos 24 e nenhum outro - com sorte essa semana eu acabo o primeiro, sobre empreendedorismo, que acabou me fisgando algumas semanas atrás mesmo sem estar em nenhuma das listas - e que tem sido a minha leitura constante no metrô a caminho do escritório.

Mas eu me pergunto: por que isso me aborrece tanto? Deveria me aborrecer tanto? No ano passado eu tinha colocado uma meta inatingível (eu sabia disso, mas era apenas para agitar as coisas) de 100 livros... Consegui ler apenas 24 até o final do ano. A essa altura, eu já tinha lido 08.. E esse ano que eu realmente preciso ler (a entrega do TCC está aí a menos de 02 meses) e eu ainda não li uma página.

Em épocas de BBB, as redes sociais (o Facebook na verdade, não ando assim tão ativa em nenhuma outra) é inundado pelos protestos simplórios de "Deixe o BBB de lado e vá ler um livro" - e embora eu nem discuta que entre ver o BBB e ler um livro a segunda opção realmente seja a melhor, eu não entendo a oposição que o pessoal estabelece - o que a maioria das pessoas espera de um livro lido? Sinceramente? Não vejo muita diferença no desafio intelectual de ver um BBB e ler 50 tons de Cinza, e tem muito programa de televisão que vai oferecer um desafio intelectual melhor que os dois. Me irrita o fetichismo do livro, como se um livro - qualquer que seja - seja algo intrinsecamente bom e perfeito, que ganhe intelectualmente de qualquer outra forma de entretenimento. Acho difícil - os calhordas envelhecem, e os idiotas também escrevem.

Eu queria ser capaz de estabelecer e seguir um desafio como esse do autor do Lifehack, e acreditar - como ele - que o desafio me enriqueceu, me mudou, me deixou mais rica (de dinheiro, de ideias, de vontades). Mas agora não dá. Talvez tudo seja reflexo de eu estar passando por uma fase de questionamento sobre o que realmente me acrescentou na vida tanta preocupação com intelecto, qualidade, propósito ou desenvolvimento pessoal - e nesse momento me parece que seria tão útil abrir uma Caras quanto um Dostoiévski (é o desânimo falando, não me atire pedras).

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