Pular para o conteúdo principal

Organização para Caóticos e Desesperados


Organização cotidiana definitivamente não é o meu forte — sobreviver ao desespero e ao caos sim! Pelo que parece, tudo o que eu tenho de metódica quando o assunto é o desenho de alguma solução de ensino a distância desaparece quando o assunto é cuidar da casa, fazer comida, organizar afazeres diários, rotinas e situações cotidianas. Mesmo assim, eu estou viva… O marido está vivo… A filha está viva… E vamos todos seguindo em frente — mesmo que aos trancos e barrancos. Se você também está fazendo o máximo para não se afogar no mar de tarefas diárias, quer se organizar mas não entende como pode aprender qualquer coisa com essas pessoas que tem 02 móveis em casa, 05 peças de roupa, 03 empregadas mensalistas e ainda dizem que tudo está uma bagunça (ai, que dó!); então vem comigo que eu vou compartilhar as minhas “Dicas de organização para reles mortais que enfrentam o caos e o desespero”.

1. Não dá pra zerar o jogo.
Sei como é que é — está tudo um caos, sua casa, sua cabeça, suas coisas. Então você sonha com aquele faxinão mágico que vai zerar a fase e você vai começar tudo de novo, da maneira correta… Já acreditei nisso, já sonhei com isso. Mas liberte-se: não é possível. A menos que você possa tirar umas férias de 30 dias da sua vida como um todo para dar conta de tudo — e sejamos sinceras, quem quer tirar férias pra arrumar coisas? — isso não é viável. Pela minha experiências, mães e amigas com mania de arrumação (sim, eu estou falando com você Gleici) acharão que é falta de força de vontade… Talvez seja, mas… Dane-se! Temos outras prioridades na vida, e está ok. Apenas aceite isso, e pelo menos por hora, relaxe com um resultado um pouco aquém do que você gostaria. Consertar o avião com ele voando não é para amadores, nem é bolinho não.

2. 15 minutos podem não parecer nada, mas são muita coisa.
Ainda na linha da dica anterior — de que não é possível zerar o jogo — não subestime a diferença que 15 minutinhos podem fazer na sua vida. Para ser sincera, os meus 15 minutinhos são na verdade 25 — eu tento aplicar a técnica “Pomodoro” quando tudo está um caos. Por exemplo, se a louça está acumulada, ou se tem roupa por toda casa, brinquedos espalhados, o que for, eu escolho uma tarefa — e apenas uma — e me dedico 25 minutos a ela. Não há quase nada que não possa esperar 25 minutinhos, e com eles dedicados a uma tarefa específica, é um pouco difícil não começar ver alguma luz. Só um pouquinho menos de caos e bagunça dão um “up” na energia: você já consegue ter esperança, listar as coisas que precisam ser feitas, e se necessário, começar a aplicar a técnica as próximas tarefas.

3. “Não dá pra organizar tralha”.
Esse, na verdade, é um mantra que a Thaís Godinho do blog “Vida Organizada” vive repetindo — e embora eu tenha muita tralha, isso já se agarrou na minha alma e fez com que eu encarasse algumas coisas de forma diferente. Por exemplo: eu sempre estava querendo comprar um milhão de caixas e organizadores que dessem conta de colocar tudo que tem aqui em casa em ordem… Hoje, graças ao blog dela (e muito ao livro da Marie Kondo também), eu cheguei a conclusão que na maioria das vezes, se você precisa comprar alguma dessas soluções de armazenamento, a verdade é que você está armazenando muita coisa. E na maior parte das vezes, coisas inúteis. Pessoas com tendências acumuladoras como eu, aprendem algumas coisas muito tarde na vida (quando aprendem) por exemplo:
  • Que cada coisa precisa ter seu lugar — se não há lugar, não pode ter a coisa.
  • Que adquirir uma coisa é diferente de utilizar alguma coisa (ou ter necessidade dela). Sabe conjuntos de ioga que você compra por que quer começar a fazer ioga (mas ainda não começou)? Ou qualquer outra coisa que você “quer começar a fazer”, mas ainda não faz — e por via das dúvidas já comprou o material? Então, essas coisas…
  • Coisas que você “pode precisar um dia”, dificilmente serão mesmo necessárias (especialmente se forem manuais de aparelhos eletrônicos, guias de assistência técnica etc.).
Na dúvida, e se não tiver amor pela coisa: rua (lixo, doação, o que for).

Além disso, já percebi um fator comum entre quem vive nessa sensação de caos constante: ausências de hábitos e rotinas. Quando você não constrói um hábito especifico, uma rotina que faz determinadas coisas acontecerem, você está sempre muito mais dependente da força de vontade… E muito mais sujeito a “zikas” que não tem nada há ver com vírus. Não é uma questão de disciplina, de ser uma pessoa boa ou má, ou de ter ou não capacidade para organização — construir hábitos eficientes é a mágica na qual precisamos investir tempo. Hábitos saudáveis garantem que a gente faça as coisas sem precisar pensar muito, sem decidir, sem considerar, chorar, reclamar ou questionar muito. É o que a gente faz quando quer evitar dar tiros no próprio pé.

Se você conseguir respirar um pouco mais, pode aproveitar para conhecer algumas coisas:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Livros que Indicam Livros: 1001 Livros para Ler Antes de Morrer - BEDA #11

Publicado 1 minuto antes da badalada final mas... Está valendo. Com essa história de ter uma meta ambiciosa em relação aos livros -- apesar da execução não estar acompanhando -- eu fico procurando lugares que podem me dar ideias interessantes de leitura... Embora que quem consegue fazer uma lista de 100 livros para ler com livros que tem em casa não precisa muito de inspiração -- precisa mais de bunda na cadeira, sofá ou cama e algumas horas diárias de leitura ininterrupta... Mas isso já é outra história. Acabei lembrando desse meu livro "esquecidinho" na estante, o "1001 Livros para Ler Antes de Morrer". Esse pequeno "catatau" de 960 páginas (estou denunciando a idade com esse termo? Provavelmente sim) contém uma pequena resenha dos sugeridos 1001 Livros, com um pouco de história e importância da obra. Também é um livro interessante de folhear porque você encontra pinturas e fotografias relacionadas as épocas das obras. Ele está dividido em 04 grand...

"Minha alma, sabe que viver é se entregar..."

Coruja mesmo! Mas quem mandou ter o bebê mais lindo do mundo!? Hoje Lívia fez dois meses de vida. E eu estou meio que apaixonada por essa música, " Meu Sol " do Vanguart... Talvez porque "Além do Horizonte" chame atenção especial dessa linda bebê (vá entender, a cadeirinha dela ao lado do computador fica de costas para a TV -- e a menina não quer saber de mais nada, além de Além do Horizonte... Fica virando a cabeça para ver o que está passando... Coisas da Lili daqui); e talvez também porque seja uma "música de ninar" bem gostosa de cantar. Ou simplesmente, porque esse verso inicial é "mother fucker beautiful" ( mães ainda podem usar uma expressão dessa? ). Não há o que eu pudesse ter feito na vida para ter me preparado para os últimos 02 meses... Ainda escrevo o FAQ da mãe de primeira viagem... Cuja maior descoberta é a mais inútil... Muito antes de engravidar eu queria saber se existe algo em especial ao virar mãe, que faz você come...

A mulher que chora assistindo "Abstract"

Photo by  Rodion Kutsaev  on  Unsplash Disclaimer: desde 2014 -- ano em que minha filha nasceu -- "lágrimas" não são um termo alheio à minha pessoa. A filha veio "liberando a torneirinha interior" e possibilitando que eu chore até de um origami bem feito... Estabelecido esse fato, acho que o caso com "Abstract" da Netflix é um pouco diferente. A série, lançada em 2017 pela Netflix, e com duas temporadas, fala sobre Design em geral, por meio da apresentação do trabalho de diversos profissionais em diversos campos: ilustração, cenografia, design gráfico, arquitetura etc. Logo que a série saiu, eu assisti o primeiro episódio sobre "ilustração" e parei -- acabou mais me dando uma pontadinha no coração daquelas "bem, esse cara é ilustrador pra New Yorker, está um pouco [MUITO] fora da minha liga. Qualquer coisa que ele possa dar de dica não se aplica muito a mim". E ali havia parado minha experiência com a série. No entanto, recen...